Alentejo Central com Inteligência Artificial para melhorar rastreio oncológico

A Unidade Local de Saúde (ULS) do Alentejo Central implementou o sistema Genius Digital Diagnostics System, desenvolvido pela Hologic, uma tecnologia que utiliza Inteligência Artificial para elevar a precisão do rastreio do cancro do colo do útero

Este sistema digital para citologia ginecológica combina algoritmos de Inteligência Artificial (IA) com análise de imagem de alta resolução. O objetivo é identificar precocemente lesões pré-cancerosas e cancerosas do colo do útero com maior eficácia.

Assim, o processo de diagnóstico “deixa de depender exclusivamente da observação microscópica manual de lâminas, passando para um ambiente digital de alta resolução onde a IA assinala áreas suspeitas para revisão dos citotécnicos”, explica a instituição num comunicado divulgado pelo portal do SNS. “Este sistema não substitui o olhar clínico, mas potencia a capacidade de deteção e validação dos profissionais de saúde, tornando o rastreio no Alentejo um dos mais avançados e seguros do país”, adianta o comunicado da ULS, acrescentando: “Entre os principais benefícios destacam-se diagnósticos mais assertivos através da triagem assistida por computador, um fluxo de trabalho digital mais eficiente e uma forte rastreabilidade, dado que todo o processo é monitorizado digitalmente, reforçando o controlo de qualidade”.

Novas diretrizes unificam tratamento da hipertensão de difícil controlo

Consenso de especialistas clarifica acesso a procedimento inovador para doentes com hipertensão não controlada

Há novas regras para melhorar o acesso a um tratamento diferenciador para a hipertensão arterial (HTA) de difícil controlo. A publicação de um novo documento de consenso, apresentado no Congresso Português de Hipertensão pela Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH) e pela Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC), visa otimizar e uniformizar a abordagem à hipertensão resistente, uma condição em que a pressão arterial permanece perigosamente elevada apesar da medicação.

Em comunicado, a SPH e a APIC lembram que a hipertensão é um dos mais sérios desafios de saúde pública em Portugal, onde se estima que afete 42,6 % da população adulta. A condição, caracterizada por uma pressão sanguínea cronicamente elevada (=140/90 mmHg), é um fator de risco primário para doenças graves como o acidente vascular cerebral (AVC), o enfarte do miocárdio, a insuficiência cardíaca e a insuficiência renal. Dados revelam que, dos doentes diagnosticados no país, menos de metade estão medicados e apenas 11,2 % têm a sua condição efetivamente controlada.

“A hipertensão é um inimigo silencioso que contribui de forma massiva para a mortalidade global. Com este consenso, pretendemos criar um caminho mais claro e eficaz para os doentes que mais precisam”, afirma Luís Nogueira Silva, representante da Sociedade Portuguesa de Hipertensão, citado no comunicado. “O nosso objetivo é garantir que os tratamentos mais avançados cheguem a quem já esgotou as opções convencionais, melhorando a sua qualidade e esperança de vida.”

O consenso foca-se na Desnervação Renal (RDN), um procedimento minimamente invasivo destinado a doentes com hipertensão resistente. Esta terapia inovadora é uma opção quando a medicação já não é suficiente para controlar a pressão arterial.

“A Desnervação Renal é uma ferramenta terapêutica com provas dadas. O que este consenso faz é estabelecer um enquadramento clínico robusto em Portugal, uniformizando os critérios de referenciação e otimizando a prática clínica”, explica Manuel Almeida, especialista em Cardiologia de Intervenção.

O documento reforça ainda a importância crescente do envolvimento dos doentes no seu próprio tratamento, apoiando a monitorização da pressão arterial em casa. Esta prática tem demonstrado ser mais eficaz para detetar variações da doença, como a “hipertensão da bata branca” ou a “hipertensão mascarada”, e para prever eventos cardiovasculares.

As novas diretrizes agora apresentadas representam um marco na luta contra as doenças cardiovasculares em Portugal, alinhando a prática clínica nacional com a melhor evidência científica.

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ULS Braga reduz em 50 % as infeções hospitalares

A Unidade Local de Saúde de Braga viu reconhecidos pela Direção-Geral da Saúde os resultados alcançados na implementação do projeto Stop Infeção 2.0, que permitiu reduzir em 50 % a incidência de infeções hospitalares na instituição

Em comunicado, a unidade de saúde informa que o desempenho se traduziu, no período de vigência do projeto, na estimativa de 177 infeções hospitalares evitadas, cerca de 16 mortes prevenidas, mais de 1550 dias de internamento poupados e uma redução de custos na ordem de 1,6 milhões de euros.

A distinção foi atribuída no dia 19 de fevereiro, numa sessão solene que decorreu na Alfândega do Porto, após a ULS Braga ter cumprido a meta definida para 2025, que previa a redução de 50% do número de infeções hospitalares.

“O programa promoveu a educação dos profissionais, bem como a implementação consistente de medidas comportamentais seguras. Ao reduzir infeções, estamos a criar um ciclo virtuoso que contribui para a diminuição do consumo dos antibióticos e a resistência antimicrobiana; diminuição dos dias de internamento e do consumo de recursos hospitalares e comunitários”, afirma Joana Alves, Coordenadora da UL-PPCIRA da ULS Braga, citada no comunicado.

A responsável sublinha ainda que “estes resultados demonstram que a mudança sustentada de práticas, alicerçada no envolvimento das equipas e na monitorização contínua de indicadores, tem um impacto real na qualidade dos cuidados prestados ao doente e na eficiência do sistema de saúde”.

O Hospital de Braga integrou o projeto em 2022, tendo constituído um grupo de trabalho multidisciplinar que envolveu profissionais de diversos serviços, nomeadamente Medicina Intensiva, Medicina Interna, Ortopedia, Cirurgia Geral e Bloco Operatório. A intervenção incidiu na reorganização de fluxos de trabalho, na adoção de boas práticas clínicas e na consolidação de comportamentos preventivos, com impacto direto na segurança do doente.

O projeto Stop Infeção Hospitalar – Stop Infeção 2.0 é uma iniciativa do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência a Antimicrobianos da Direção-Geral da Saúde (PPCIRA/DGS), em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian e com orientação técnico-científica do Institute for Healthcare Improvement, que visa reforçar a cultura de segurança e a qualidade assistencial nas instituições de saúde.

Congresso vai debater uso de IA no tratamento de cancros urológicos

Em parceria com a Clínica Universidad de Navarra, Portugal recebe, nos dias 6 e 7 de março, a primeira edição do URONEXT para discutir a aplicabilidade e o impacto da inteligência artificial e da robótica nos cancros urológicos. O evento reúne especialistas internacionais que vão assistir à transmissão em direto de uma cirurgia robótica inovadora para tratamento do cancro do rim – a Nefrectomia Parcial Robótica

 

David Subirá, Coordenador de Urologia do Hospital CUF Tejo, considera que “a especialização e a inovação tecnológica são os principais pilares da gestão do cancro urológico no futuro”. Por isso, lidera uma parceria da CUF com a Clínica Universidad de Navarra, realizando a primeira edição do URONEXT, no Hospital CUF Tejo, conforme detalha a CUF em comunicado.

Ao longo de dois dias, investigadores e clínicos de referência do Canadá, EUA, Espanha e Portugal vão debater o papel da inovação tecnológica nas novas estratégias de vigilância, diagnóstico e tratamento de cancros urológicos. “Queremos mostrar o que já está a mudar a prática clínica — tornando-a mais precisa, segura e personalizada, com impacto direto nos doentes”, afirma David Subirá.

“A tecnologia tem vindo a favorecer o diagnóstico precoce do cancro e a facilitar a escolha do melhor tratamento para cada doente, individualizando-o”, destaca também Bernardino Miñana, Coordenador de Urologia da Clínica Universidad de Navarra. No caso específico do cancro da próstata, o especialista, que assume a co-coordenação deste evento, sublinha que “já se aplica PET-CT PSMA como a ferramenta mais precisa para localizar o cancro e a biópsia de fusão com ressonância magnética multiparamétrica para identificar e analisar lesões suspeitas com maior rigor”. Precisamente duas temáticas sobre as quais incidirá o encontro, que reserva ainda uma sessão prática dedicada ao diagnóstico em uro-oncologia por ressonância magnética.

No campo do tratamento cirúrgico, este encontro internacional irá explorar a aplicação de programas de realidade aumentada, assim como da robótica e de terapias focais. “Estas tecnologias permitem maior precisão nos tratamentos e estão a minimizar os efeitos secundários para o doente”, enfatiza o co-coordenador do evento, David Subirá, que irá realizar a primeira demonstração ao vivo da técnica Nefrectomia Parcial Robótica (RSD), que integra o programa do evento.

“A técnica RSD permite, com apoio da robótica e da biomodelação 3D, a remoção cirúrgica do tumor do rim com uma precisão milimétrica e a sua reconstrução. Ao dispensar o uso de suturas minimiza o tempo de isquemia, garantindo que o doente não só fica livre da doença, como mantém a função renal”, explica o urologista da CUF que desenvolveu esta técnica.

O evento será ainda palco para a apresentação de novas plataformas robóticas – algumas delas ainda por introduzir na Europa – proporcionando aos participantes um contacto em primeira mão com o futuro da uro-oncologia.

Um futuro que, segundo David Subirá, se constrói não só pela partilha de conhecimento, mas também através da investigação. “Em breve, Portugal e Espanha passarão a participar no registo multicêntrico europeu JUPITER, para acompanhamento prospetivo de doentes com cancro da próstata submetidos a terapias focais. Com este passo, contribuiremos ativamente para o reforço de uma medicina baseada em evidência”, avança o urologista da CUF. Para este projeto de investigação a Associação Europeia de Urologia nomeou como coordenadores os especialistas David Subirá, em Portugal, e Bernardino Miñana, em Espanha.

 

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Guidelines latino-americanas para a abordagem da asma agora em português

Tradução da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) e da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) do GEMA (Guía Española para el Manejo del Asma) pretende tornar o instrumento acessível aos profissionais de saúde

O projeto GEMA resulta do trabalho colaborativo de especialistas de 18 sociedades médicas científicas da Espanha, América Latina e Portugal (nas quais se incluem a SPP e a SPAIC) e tem como propósito disponibilizar aos profissionais de saúde um guia prático, baseado em evidência científica, para o diagnóstico, tratamento e seguimento da asma.

Agora, perante a vontade conjunta da SPP e da SPAIC – as duas especialidades médicas mais diretamente envolvidas na abordagem dos doentes asmáticos – e após um rigoroso processo de tradução, adaptação e validação do texto, encontra-se disponível a versão portuguesa do documento GEMA 5.5: Guia Especializado para o Manejo da Asma.

Em comunicado, Jorge Ferreira, presidente da SPP e coordenador do GEMA em representação desta sociedade, e Ana Morête, coordenadora do GEMA em representação da SPAIC, afirmam que “a tradução e adaptação desta versão para português representa um passo decisivo para tornar este instrumento acessível aos profissionais de saúde em Portugal e em toda a comunidade lusófona”. De acordo com os especialistas, esta iniciativa foi acolhida com entusiasmo pelo Comité Executivo do GEMA.

“Mais do que uma versão linguística, este guia pretende ser uma ponte entre comunidades científicas, promovendo a partilha de conhecimento e boas práticas clínicas. Esperamos que esta edição contribua para a melhoria da qualidade assistencial prestada aos doentes com asma nos países de língua portuguesa”, concluem.

Segundo Pedro Carreiro Martins, presidente da SPAIC, “as orientações GEMA constituem um importante instrumento para a prática clínica em Imunoalergologia, ao permitirem otimizar a abordagem da asma, à luz da evidência científica mais recente. A disponibilização de um manual devidamente traduzido e adaptado à realidade nacional elimina eventuais barreiras linguísticas e facilita a utilização desta ferramenta”.

Os dados mais recentes apontam para uma prevalência da asma em 7,1 % na população portuguesa, o que significa que cerca de 570.000 portugueses adultos sofrem desta patologia, tornando-a numa das doenças crónicas mais comuns na nossa população.

O GEMA 5.5 em língua portuguesa está disponível aqui.

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Portugal deu início à partilha de dados de saúde com a Noruega

Esta partilha, que passa a acontecer no contexto da infraestrutura europeia A Minha Saúde @ UE (MyHealth@EU), só pode acontecer mediante autorização do cidadão

Desde 13 de janeiro que os profissionais de saúde noruegueses podem consultar, mediante consentimento, o Resumo de Saúde eletrónico de cidadãos portugueses, sempre que tal seja clinicamente necessário.

A infraestrutura A Minha Saúde @ UE foi concebida para facilitar uma partilha segura e estruturada de informação clínica entre Estados-Membros. O objetivo é contribuir para respostas mais rápidas, redução de erros médicos e melhoria da qualidade dos serviços de saúde transfronteiriços, conforme realça a SPMS no seu portal.

Com a adesão da Noruega, Portugal passa a operar, em diferentes serviços digitais de saúde, com a totalidade dos 16 países atualmente ligados à infraestrutura MyHealth@EU: Malta, Croácia, Luxemburgo, França, Estónia, Finlândia, Países Baixos, Espanha, República Checa, Polónia, Letónia, Lituânia, Irlanda, Chipre, Grécia e Noruega. Desta rede, resultam as seguintes possibilidades:

  • Cidadãos portugueses podem obter cuidados médicos em Malta, Croácia, Luxemburgo, França, República Checa, Espanha, Países Baixos, Estónia, Letónia, Irlanda, Chipre, Grécia e Noruega.
  • Cidadãos malteses, croatas, checos, espanhóis, estónios, luxemburgueses e letões, caso necessitem, podem usufruir de cuidados médicos em Portugal.
  • Cidadãos portugueses podem levantar medicamentos em farmácias na Estónia, Finlândia, Croácia, Espanha, Polónia, República Checa, Letónia, Lituânia, Chipre e Grécia.
  • Cidadãos finlandeses, croatas, espanhóis, estónios, polacos e lituanos podem levantar medicamentos nas farmácias de Portugal.

 

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Prémio para biossensor que monitoriza saúde renal

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa anunciou os vencedores da 14.ª edição do Programa de Empreendedorismo, que incentiva os estudantes a desenvolver projetos inovadores nas áreas das Ciências, Engenharia e Tecnologia para responder a desafios concretos da sociedade. Foram premiados projetos nas áreas da energia, isolamento térmico e saúde renal

 

Ao longo do mês de fevereiro, os alunos inscritos na Unidade Curricular de Empreendedorismo desenvolveram as competências para apresentarem um negócio original de âmbito tecnológico. Agora, as 12 equipas finalistas da competição, que reuniu mais de 900 alunos da Faculdade, apresentaram os projetos originais a um júri composto por representantes das empresas Axians, Deloitte, Jerónimo Martins e NOS.

Em primeiro lugar ficou o projeto VENTUS, uma turbina eólica de eixo vertical fixada em postes de iluminação para gerar energia descentralizada em ambientes urbanos, o que permite uma produção de energia limpa e local a baixo custo. A equipa de estudantes venceu o maior prémio do certame, no valor de 1000 euros.

A equipa do FungiFoam venceu o segundo lugar com a criação de um projeto que responde aos desafios da pobreza energética nas casas portuguesas com uma solução sustentável, através dos fungos: a equipa apresentou um novo material de isolamento produzido a partir de micélio, uma propriedade dos fungos, que, integrado com outros materiais, como serradura e cortiça portuguesa, dá origem a painéis de elevado desempenho térmico, com maior eficiência energética e um custo altamente competitivo.   Em paralelo, o Prémio IMPACTO, que destaca a inovação sustentável, no valor de 750€ euros, foi também entregue à FungiFoam.

Em terceiro lugar ficou o Celumetrics Exams – RenalNow, dispositivo biossensor que analisa biomarcadores comuns na Doença Renal Crónica e envia os dados para a app, permitindo assim que sejam partilhados com o médico.

“Este ano, os projetos distinguidos evidenciam uma maturidade crescente, com muitos alunos já envolvidos no desenvolvimento de protótipos físicos e tecnologias validadas ao nível da prova de conceito. Trata-se de um passo decisivo na mitigação do risco tecnológico. O próximo desafio centra-se no mercado, onde a capacidade de adaptação e a rapidez na tomada de decisão assumem um papel determinante — competências cada vez mais valorizadas no contexto profissional”, afirma, em comunicado, Fernanda Llussá, uma das coordenadoras do Programa de Empreendedorismo da NOVA FCT, juntamente com os professores Aneesh Zutshi e Virgílio Cruz Machado.

Nos prémios atribuídos pelas empresas, também com valor monetário, os vencedores foram: PetPulse venceu o Prémio Jerónimo Martins; Amaize o Prémio Deloitte; Chitofoil o Prémio Axians; e Clear View o Prémio NOS.

A entrega dos prémios assinala o final do Programa de Empreendedorismo da NOVA FCT. Este programa académico insere-se no Perfil Curricular da Faculdade, uma abordagem pedagógica que foi pioneira no ensino superior português. A NOVA FCT integra, desde 2012, disciplinas focadas no desenvolvimento de soft skills, combinando ensino experimental e contínuo com a proximidade ao mercado laboral.

Portugal com redução do risco de morte por tumores malignos abaixo dos 75 anos

A melhoria na intervenção em saúde e na prevenção, associada a melhorias nos programas de rastreio do cancro, ao diagnóstico mais precoce e aos progressos na efetividade dos tratamentos, contribuíram para a redução do risco de morte por tumores malignos em Portugal abaixo dos 75 anos, no período de 2019 a 2023

De acordo com o Relatório “PNDO: Desafios e Estratégias”, publicado pela Direção-Geral da Saúde (DGS), através do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas (PNDO), a taxa de mortalidade padronizada por tumores malignos continua a diminuir em Portugal. Embora se tenha verificado um ligeiro aumento do número absoluto de óbitos, este está associado ao envelhecimento da população.

Em 2024 atingiu-se o maior número de sempre de mulheres convidadas (365 978; 61%) e rastreadas (344 405; 94%) no âmbito do Rastreio do Cancro do Colo do Útero (RCCU), de acordo com o mais recente Relatório de “Avaliação e Monitorização dos Rastreios Oncológicos de Base Populacional”, igualmente publicado pela DGS.

No Rastreio do Cancro da Mama (RCM), registou-se uma taxa de cobertura populacional superior a 90 %, com 877 377 mulheres convidadas, ultrapassando a meta definida na Estratégia Nacional de Luta Contra o Cancro para 2030, em alinhamento com a estratégia europeia. Ainda assim, a cobertura populacional do Rastreio do Cancro do Colo do Útero (61 %) e do Rastreio do Cancro do Cólon e Reto (RCCR) (32,5 %) mantém-se ainda abaixo da meta de 90 % prevista para 2030.

Ao nível do tratamento, registou-se um aumento de 10 % no número de doentes tratados com radioterapia e no número de doentes tratados com quimioterapia/imunoterapia. Verificou-se, igualmente, um aumento do número de doentes com acesso a tratamentos inovadores, nomeadamente com terapias com células CAR-T.

Relativamente à sobrevivência a 5 anos após o diagnóstico de doença oncológica, Portugal apresenta resultados acima da média europeia, com cerca de 240 óbitos por 100 mil habitantes, face a aproximadamente 250 óbitos por 100 000 habitantes na União Europeia.

Destacam-se as elevadas taxas de sobrevivência a 5 anos no cancro da próstata (96 %) e no cancro da mama (90 %), que correspondem aos cancros mais incidentes nos homens e nas mulheres, respetivamente.

O número de cirurgias oncológicas a doentes com neoplasias malignas aumentou, com mais cerca de 10 000 doentes operados em 2024 face a 2023. A percentagem de doentes operados acima do tempo máximo de resposta garantido reduziu de 26,4 % em 2023 para 25,8 % em 2024.

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Trás-os-Montes reforça capacidade de radioterapia

O Serviço de Radioncologia da Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro (ULSTMAD) tem em funcionamento os dois aceleradores lineares desde janeiro

Com estes dois aceleradores lineares em pleno funcionamento, o serviço de Radioncologia da ULSTMAD aumenta a capacidade de resposta e reduz os tempos de espera, estimando-se uma capacidade instalada global de 100 tratamentos por dia, até um máximo anual de aproximadamente 24.000 sessões de Radioterapia, fez saber o portal do SNS.

Além das melhorias clínica e operacional, a combinação de dois aceleradores permite uma maior resiliência do serviço, assegurando continuidade assistencial e criando condições para reforçar a implementação futura de técnicas ainda mais diferenciadas, tais como as estereotáxicas, quando clinicamente indicadas.

upgrade deste equipamento reforça, assim, a capacidade de resposta desta Unidade Local de Saúde que trata doentes oncológicos da área de influência de Trás-os-Montes e Alto Douro, e de outras zonas geográficas do país.

ATEHP presente na apresentação do livro “Como a Anestesia Mudou o Mundo”

Recentemente a ATEHP esteve presente na apresentação do último livro da autoria do Dr. José Martins Nunes, intitulado “Como a Anestesia Mudou o Mundo”, tendo estado representada pelo Presidente da Direção, Eng. João Barranca e pelo Presidente da Assembleia Geral, Eng.º Abraão Ribeiro. A Sessão realizou-se no dia 4 de fevereiro, na Casa Municipal da Cultura de Coimbra, tendo a apresentação estado a cargo dos ilustres Professores Francisco Maio Matos e José Pedro Figueiredo.

Esta obra é, como refere o autor, um testemunho de quem viveu intensamente as transformações da anestesiologia nas últimas décadas, e um convite à reflexão para os que hoje exercem esta especialidade e para os que colaboram com ela no quotidiano hospitalar, sendo também um tributo e uma proposta de diálogo entre ciência, filosofia, religião, história e cidadania.

Um livro que aborda as múltiplas dimensões da anestesia e nos transporta para a forma como a anestesiologia evoluiu muito significativamente, ao longo dos últimos dois séculos, impulsionada pelo desenvolvimento de novas tecnologias, fármacos e sistemas de monitorização, tornando os procedimentos cirúrgicos progressivamente mais seguros e controlados.

Antes do século XIX, a ausência de anestesia eficaz limitava a prática cirúrgica, sendo utilizados métodos empíricos para o relativo controlo da dor, com elevada morbimortalidade associada.

Entretanto, o advento dos anestésicos gerais inalados marcou o início da anestesia moderna, permitindo a indução de inconsciência e analgesia adequadas para procedimentos cirúrgicos. Posteriormente, o desenvolvimento de anestésicos intravenosos possibilitou uma indução mais rápida, previsível e segura, ao mesmo tempo que os agentes inalados evoluíram para compostos halogenados com melhor perfil farmacocinético e menor toxicidade.

Paralelamente, no campo da engenharia, a evolução tecnológica dos equipamentos de anestesia acompanhou de mãos dadas e foi determinante para a segurança anestésica. Temos presente que os sistemas atuais integram ventilação mecânica controlada, vaporizadores de precisão, alarmes de segurança e mecanismos de prevenção de erros, permitindo um controlo rigoroso da administração de anestésicos e da oxigenação do paciente, sendo que estes avanços reduziram significativamente a incidência de eventos adversos intraoperatórios.

Outro pilar fundamental foi o progresso dos sistemas de monitorização. A introdução do eletrocardiograma contínuo, da oximetria de pulso e da monitorização invasiva e não invasiva da pressão arterial permitiu a deteção precoce de alterações hemodinâmicas e respiratórias. Adicionalmente, a anestesia beneficiou do uso do ultrassom, aumentando a precisão na identificação de estruturas anatómicas e reduzindo complicações sendo que, atualmente, a integração de sistemas informatizados, registos eletrónicos e ferramentas baseadas em inteligência artificial representa uma nova etapa na evolução da anestesiologia, promovendo uma prática mais segura, eficiente e orientada para o paciente.