Criado Observatório da Publicidade em Saúde

Perante o crescimento do fenómeno da publicidade em saúde, sobretudo nos meios digitais e o aumento das denúncias por más práticas, a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) tomou a decisão de criar o Observatório da Publicidade em Saúde (OPS)

Trata-se de “uma estrutura dedicada à monitorização, análise e compreensão das práticas publicitárias em saúde, fomentando uma intervenção regulatória mais informada, mais estratégica e mais eficaz”, informa a ERS no seu website, que não substitui, antes complementa, o modelo sancionatório em vigor.

O OPS assenta em cinco pilares: prevenção, proteção dos consumidores, promoção de boas práticas, educação e literacia e cooperação institucional. Esses pilares materializam-se em cinco objetivos: monitorizar e analisar a publicidade em saúde, identificando tendências, áreas críticas e riscos; reforçar a conformidade das práticas publicitárias com o enquadramento legal e regulatório; promover a transparência e a qualidade da informação em saúde disponibilizada aos cidadãos; desenvolver e aplicar conhecimentos técnicos sobre a temática; e contribuir para uma abordagem mais preventiva e eficaz da regulação.

Mais informação na página do OPS.

 

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Almada-Seixal disponibiliza consulta genética

A ULS Almada-Seixal (ULSAS) conta com uma nova consulta de genética. A consulta multidisciplinar de genética médica na ULSAS está, atualmente, disponível nas áreas de pré-natal, pediátrica e de adultos, com destaque para o apoio dado ao Centro de Desenvolvimento da Criança e ao Serviço de Oncologia, avaliando, diagnosticando e aconselhando utentes com suspeita ou confirmação de doenças hereditárias, malformações ou atrasos no desenvolvimento

A disponibilização da consulta de genética permite organizar a investigação genética dentro da ULSAS e ter um mais rápido esclarecimento sobre o resultado dos testes genéticos, já que a geneticista analisa o histórico familiar, solicita estudos moleculares (DNA) e define o risco de transmissão (aconselhamento genético), planeando a vigilância médica, esclarece a unidade de saúde em comunicado.

A geneticista Patrícia Dias chegou à ULSAS em dezembro de 2025, depois de um percurso de quase 20 anos no Hospital de Santa Maria, e desde então tem vindo a estruturar o novo Serviço de Genética Médica.

A ULSAS espera, em breve, poder reforçar a equipa do Serviço de Genética Médica e alargar as consultas disponíveis, aumentando a capacidade de resposta.

“Além de permitir o diagnóstico de patologias do foro genético, a ULSAS fica mais apta a fazer estudo e aconselhamento genético, o que é, sem dúvida, uma mais-valia para a comunidade que servimos.”, afirma Pedro Correia Azevedo, Presidente do Conselho de Administração da ULSAS.

IPAFASIA pede respostas mais estruturadas no pós-AVC

A descontinuidade de cuidados após a alta hospitalar está a comprometer a recuperação de pessoas que desenvolvem afasia na sequência de um acidente vascular cerebral (AVC). O alerta é do IPAFASIA – Instituto Português da Afasia, que defende a necessidade urgente de reforçar respostas estruturadas no pós-AVC e integrar a teleterapia como complemento regular de acompanhamento

No mês em que se assinala o Dia Nacional do Doente com AVC, a 31 de março, o IPAFASIA defende que a recuperação não pode ser entendida apenas como estabilização clínica. A afasia pode persistir para além dos primeiros meses e assumir carácter crónico, exigindo intervenção prolongada, apoio psicossocial e envolvimento das famílias.

Em Portugal, estima-se que cerca de 40 mil pessoas vivam com afasia, condição que afeta a capacidade de comunicar, falar, compreender, ler ou escrever, frequentemente na sequência de um acidente vascular cerebral. Ainda assim, a resposta estruturada após a alta hospitalar permanece insuficiente, alerta o instituto em comunicado.

Para a IPAFASIA, “a recuperação não pode ser entendida apenas como estabilização clínica. A afasia pode persistir para além dos seis meses e assumir carácter crónico, exigindo acompanhamento prolongado, apoio psicossocial e capacitação das famílias”. É neste contexto que a teleterapia surge como complemento estratégico. A intervenção especializada à distância permite garantir continuidade de cuidados, sobretudo em zonas com menor oferta presencial ou em situações de mobilidade reduzida. Ao assegurar acompanhamento regular após a alta, a teleterapia pode reduzir assimetrias territoriais, evitar ruturas no processo de reabilitação e ampliar a capacidade de resposta do sistema de saúde.

“A teleterapia representa hoje uma oportunidade concreta para melhorar o acesso à reabilitação da afasia em Portugal. Num contexto em que persistem desigualdades territoriais no acesso a terapeutas da fala e em que muitas pessoas vivem longe de centros especializados, a intervenção à distância pode permitir levar apoio especializado a quem, de outra forma, ficaria sem acompanhamento regular. A experiência do IPAFASIA ao longo dos últimos anos demonstra que a teleterapia pode assegurar continuidade terapêutica, promover prática intensiva e envolver as famílias no processo de reabilitação, mantendo a qualidade clínica quando realizada por profissionais qualificados. Uma abordagem que encontra também suporte nas recomendações internacionais da American Speech-Language-Hearing Association (ASHA)” explica a associação.

Um estudo desenvolvido pelo IPAFASIA, em parceria com o Hospital Pedro Hispano, evidencia que a fase aguda do AVC é globalmente bem avaliada, mas identifica o momento da alta hospitalar como um ponto crítico no percurso de recuperação.

Foram sinalizadas lacunas no planeamento da continuidade terapêutica e ausência de recomendações estruturadas de reabilitação especializada em vários casos. Após o regresso a casa, muitas pessoas deixam de ter acompanhamento regular em terapia da fala e não dispõem de apoio psicológico, mesmo quando enfrentam impacto emocional significativo.
O estudo identifica ainda descontinuidade terapêutica, acesso desigual aos cuidados, forte dependência do apoio informal das famílias e falta de informação clara, acessível e adaptada sobre a afasia, o processo de recuperação e as estratégias de comunicação.

Persistem igualmente barreiras estruturais, comunicacionais e sociais, incluindo estigma e desconhecimento generalizado sobre a afasia, que limitam a inclusão destas pessoas na comunidade.

Meses depois do AVC, muitas pessoas continuam a enfrentar limitações comunicativas com impacto direto na autonomia, na participação social e na qualidade de vida, confirmando que a recuperação não termina na alta hospitalar.

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ULS Braga inicia instalação da primeira ressonância magnética ao abrigo do PR

A Unidade Local de Saúde de Braga procedeu à instalação da primeira de duas novas ressonâncias magnéticas adquiridas ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)

O novo equipamento permitirá, de acordo com a unidade, obter imagens de maior resolução e qualidade diagnóstica, traduzindo-se numa avaliação clínica mais rápida, rigorosa e precisa. A melhoria das capacidades de imagiologia beneficiará diretamente os utentes, contribuindo para diagnósticos mais céleres e para uma maior eficácia no planeamento terapêutico.

“A aquisição destes equipamentos representa um contributo determinante para a modernização tecnológica do Hospital de Braga e para o reforço da nossa capacidade de resposta às necessidades dos utentes. Estamos confiantes de que este investimento terá um impacto positivo e mensurável na qualidade e na eficácia dos cuidados que prestamos à população que servimos”, afirma Américo Afonso, Presidente do Conselho de Administração da ULS Braga, citado em comunicado.

A instalação desta ressonância magnética enquadra-se num projeto de modernização tecnológica que abrange 29 unidades hospitalares a nível nacional. No âmbito deste programa, a ULS Braga receberá, no total, dois angiógrafos, duas ressonâncias magnéticas, um tomógrafo computorizado (TAC) e um robô cirúrgico, este último já em funcionamento desde o início do ano. O conjunto destes equipamentos representa um investimento superior a 9 milhões de euros.

Exportações em Saúde ultrapassam cinco milhões em 2025

As exportações em Saúde alcançaram um marco histórico em 2025, ultrapassando a meta dos 5 mil milhões de euros, um aumento de 37,9 % em relação ao ano de 2024

Os dados foram compilados pela AICEP a partir de informação do INE. os Preparados Farmacêuticos representam (85,2 %) do total, os Instrumentos Médicos (10,5 %), os Produtos Farmacêuticos de Base (3,8 %), e os Equipamentos (0,5 %).

A Alemanha foi o principal mercado de exportação para Portugal, seguido pelos Estados Unidos, Espanha, França, Bélgica, Países Baixos, Itália, Angola, Dinamarca, e a encerrar o Top 10, o Reino Unido.

Em comunicado, a AICEP faz, contudo, notar que a balança comercial de bens nesta fileira é habitualmente desfavorável, tendo apresentado em 2025 um saldo negativo de -3.345 mil milhões de euros, em resultado de um aumento das importações para os 8.998 mil milhões de euros, com o coeficiente de cobertura das exportações a cifrar-se nos (62,8 %).

 

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Colóquio sobre Segurança e Higiene Ocupacionais no final de março

A Sociedade Portuguesa de Segurança e Higiene Ocupacionais (SPOSHO), em parceria com as Universidades do Minho, Porto e Lisboa, realizará o Colóquio Internacional SHO 2026 nos dias 30 e 31 de março de 2026. Realizado anualmente desde 2004, este evento reúne especialistas, investigadores e profissionais para debater desafios e avanços na Segurança, Saúde e Higiene Ocupacionais

 

O SHO 2026 contará com o apoio de diversas empresas e entidades, além do patrocínio científico de instituições e sociedades científicas de referência. A Segurança e Saúde Ocupacionais (SSO) são fundamentais para o desenvolvimento económico, reduzindo custos com acidentes e doenças profissionais, aumentando a produtividade e promovendo ambientes de trabalho mais seguros e sustentáveis.

Este colóquio será um espaço de partilha de conhecimento, reunindo oradores nacionais e internacionais de renome. Os temas em destaque incluem Gestão da SSO, Risco Ocupacional e Acidentes, Ergonomia, Fatores Psicossociais, Segurança Rodoviária, Emergência e o impacto das Novas Tecnologias na SSO.

Destacam-se também duas mesas-redondas sobre temas relacionados com a tecnologia. No dia 30, o tema será a Inteligência Artificial e o Trabalho do Futuro, propondo-se a análise do contributo destas soluções para o reforço da segurança e saúde ocupacionais. A IA pode apoiar a formação, mas também ajudar a identificar padrões de risco no terreno. No dia 31, será a vez de abordar a realidade virtual e a realidade aumentada, e as suas aplicações também em ambientes de formação e no terreno, respetivamente.

Para mais informações, aceda ao site do evento.

 

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Alentejo Central com Inteligência Artificial para melhorar rastreio oncológico

A Unidade Local de Saúde (ULS) do Alentejo Central implementou o sistema Genius Digital Diagnostics System, desenvolvido pela Hologic, uma tecnologia que utiliza Inteligência Artificial para elevar a precisão do rastreio do cancro do colo do útero

Este sistema digital para citologia ginecológica combina algoritmos de Inteligência Artificial (IA) com análise de imagem de alta resolução. O objetivo é identificar precocemente lesões pré-cancerosas e cancerosas do colo do útero com maior eficácia.

Assim, o processo de diagnóstico “deixa de depender exclusivamente da observação microscópica manual de lâminas, passando para um ambiente digital de alta resolução onde a IA assinala áreas suspeitas para revisão dos citotécnicos”, explica a instituição num comunicado divulgado pelo portal do SNS. “Este sistema não substitui o olhar clínico, mas potencia a capacidade de deteção e validação dos profissionais de saúde, tornando o rastreio no Alentejo um dos mais avançados e seguros do país”, adianta o comunicado da ULS, acrescentando: “Entre os principais benefícios destacam-se diagnósticos mais assertivos através da triagem assistida por computador, um fluxo de trabalho digital mais eficiente e uma forte rastreabilidade, dado que todo o processo é monitorizado digitalmente, reforçando o controlo de qualidade”.

Novas diretrizes unificam tratamento da hipertensão de difícil controlo

Consenso de especialistas clarifica acesso a procedimento inovador para doentes com hipertensão não controlada

Há novas regras para melhorar o acesso a um tratamento diferenciador para a hipertensão arterial (HTA) de difícil controlo. A publicação de um novo documento de consenso, apresentado no Congresso Português de Hipertensão pela Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH) e pela Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC), visa otimizar e uniformizar a abordagem à hipertensão resistente, uma condição em que a pressão arterial permanece perigosamente elevada apesar da medicação.

Em comunicado, a SPH e a APIC lembram que a hipertensão é um dos mais sérios desafios de saúde pública em Portugal, onde se estima que afete 42,6 % da população adulta. A condição, caracterizada por uma pressão sanguínea cronicamente elevada (=140/90 mmHg), é um fator de risco primário para doenças graves como o acidente vascular cerebral (AVC), o enfarte do miocárdio, a insuficiência cardíaca e a insuficiência renal. Dados revelam que, dos doentes diagnosticados no país, menos de metade estão medicados e apenas 11,2 % têm a sua condição efetivamente controlada.

“A hipertensão é um inimigo silencioso que contribui de forma massiva para a mortalidade global. Com este consenso, pretendemos criar um caminho mais claro e eficaz para os doentes que mais precisam”, afirma Luís Nogueira Silva, representante da Sociedade Portuguesa de Hipertensão, citado no comunicado. “O nosso objetivo é garantir que os tratamentos mais avançados cheguem a quem já esgotou as opções convencionais, melhorando a sua qualidade e esperança de vida.”

O consenso foca-se na Desnervação Renal (RDN), um procedimento minimamente invasivo destinado a doentes com hipertensão resistente. Esta terapia inovadora é uma opção quando a medicação já não é suficiente para controlar a pressão arterial.

“A Desnervação Renal é uma ferramenta terapêutica com provas dadas. O que este consenso faz é estabelecer um enquadramento clínico robusto em Portugal, uniformizando os critérios de referenciação e otimizando a prática clínica”, explica Manuel Almeida, especialista em Cardiologia de Intervenção.

O documento reforça ainda a importância crescente do envolvimento dos doentes no seu próprio tratamento, apoiando a monitorização da pressão arterial em casa. Esta prática tem demonstrado ser mais eficaz para detetar variações da doença, como a “hipertensão da bata branca” ou a “hipertensão mascarada”, e para prever eventos cardiovasculares.

As novas diretrizes agora apresentadas representam um marco na luta contra as doenças cardiovasculares em Portugal, alinhando a prática clínica nacional com a melhor evidência científica.

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ULS Braga reduz em 50 % as infeções hospitalares

A Unidade Local de Saúde de Braga viu reconhecidos pela Direção-Geral da Saúde os resultados alcançados na implementação do projeto Stop Infeção 2.0, que permitiu reduzir em 50 % a incidência de infeções hospitalares na instituição

Em comunicado, a unidade de saúde informa que o desempenho se traduziu, no período de vigência do projeto, na estimativa de 177 infeções hospitalares evitadas, cerca de 16 mortes prevenidas, mais de 1550 dias de internamento poupados e uma redução de custos na ordem de 1,6 milhões de euros.

A distinção foi atribuída no dia 19 de fevereiro, numa sessão solene que decorreu na Alfândega do Porto, após a ULS Braga ter cumprido a meta definida para 2025, que previa a redução de 50% do número de infeções hospitalares.

“O programa promoveu a educação dos profissionais, bem como a implementação consistente de medidas comportamentais seguras. Ao reduzir infeções, estamos a criar um ciclo virtuoso que contribui para a diminuição do consumo dos antibióticos e a resistência antimicrobiana; diminuição dos dias de internamento e do consumo de recursos hospitalares e comunitários”, afirma Joana Alves, Coordenadora da UL-PPCIRA da ULS Braga, citada no comunicado.

A responsável sublinha ainda que “estes resultados demonstram que a mudança sustentada de práticas, alicerçada no envolvimento das equipas e na monitorização contínua de indicadores, tem um impacto real na qualidade dos cuidados prestados ao doente e na eficiência do sistema de saúde”.

O Hospital de Braga integrou o projeto em 2022, tendo constituído um grupo de trabalho multidisciplinar que envolveu profissionais de diversos serviços, nomeadamente Medicina Intensiva, Medicina Interna, Ortopedia, Cirurgia Geral e Bloco Operatório. A intervenção incidiu na reorganização de fluxos de trabalho, na adoção de boas práticas clínicas e na consolidação de comportamentos preventivos, com impacto direto na segurança do doente.

O projeto Stop Infeção Hospitalar – Stop Infeção 2.0 é uma iniciativa do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência a Antimicrobianos da Direção-Geral da Saúde (PPCIRA/DGS), em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian e com orientação técnico-científica do Institute for Healthcare Improvement, que visa reforçar a cultura de segurança e a qualidade assistencial nas instituições de saúde.

Congresso vai debater uso de IA no tratamento de cancros urológicos

Em parceria com a Clínica Universidad de Navarra, Portugal recebe, nos dias 6 e 7 de março, a primeira edição do URONEXT para discutir a aplicabilidade e o impacto da inteligência artificial e da robótica nos cancros urológicos. O evento reúne especialistas internacionais que vão assistir à transmissão em direto de uma cirurgia robótica inovadora para tratamento do cancro do rim – a Nefrectomia Parcial Robótica

 

David Subirá, Coordenador de Urologia do Hospital CUF Tejo, considera que “a especialização e a inovação tecnológica são os principais pilares da gestão do cancro urológico no futuro”. Por isso, lidera uma parceria da CUF com a Clínica Universidad de Navarra, realizando a primeira edição do URONEXT, no Hospital CUF Tejo, conforme detalha a CUF em comunicado.

Ao longo de dois dias, investigadores e clínicos de referência do Canadá, EUA, Espanha e Portugal vão debater o papel da inovação tecnológica nas novas estratégias de vigilância, diagnóstico e tratamento de cancros urológicos. “Queremos mostrar o que já está a mudar a prática clínica — tornando-a mais precisa, segura e personalizada, com impacto direto nos doentes”, afirma David Subirá.

“A tecnologia tem vindo a favorecer o diagnóstico precoce do cancro e a facilitar a escolha do melhor tratamento para cada doente, individualizando-o”, destaca também Bernardino Miñana, Coordenador de Urologia da Clínica Universidad de Navarra. No caso específico do cancro da próstata, o especialista, que assume a co-coordenação deste evento, sublinha que “já se aplica PET-CT PSMA como a ferramenta mais precisa para localizar o cancro e a biópsia de fusão com ressonância magnética multiparamétrica para identificar e analisar lesões suspeitas com maior rigor”. Precisamente duas temáticas sobre as quais incidirá o encontro, que reserva ainda uma sessão prática dedicada ao diagnóstico em uro-oncologia por ressonância magnética.

No campo do tratamento cirúrgico, este encontro internacional irá explorar a aplicação de programas de realidade aumentada, assim como da robótica e de terapias focais. “Estas tecnologias permitem maior precisão nos tratamentos e estão a minimizar os efeitos secundários para o doente”, enfatiza o co-coordenador do evento, David Subirá, que irá realizar a primeira demonstração ao vivo da técnica Nefrectomia Parcial Robótica (RSD), que integra o programa do evento.

“A técnica RSD permite, com apoio da robótica e da biomodelação 3D, a remoção cirúrgica do tumor do rim com uma precisão milimétrica e a sua reconstrução. Ao dispensar o uso de suturas minimiza o tempo de isquemia, garantindo que o doente não só fica livre da doença, como mantém a função renal”, explica o urologista da CUF que desenvolveu esta técnica.

O evento será ainda palco para a apresentação de novas plataformas robóticas – algumas delas ainda por introduzir na Europa – proporcionando aos participantes um contacto em primeira mão com o futuro da uro-oncologia.

Um futuro que, segundo David Subirá, se constrói não só pela partilha de conhecimento, mas também através da investigação. “Em breve, Portugal e Espanha passarão a participar no registo multicêntrico europeu JUPITER, para acompanhamento prospetivo de doentes com cancro da próstata submetidos a terapias focais. Com este passo, contribuiremos ativamente para o reforço de uma medicina baseada em evidência”, avança o urologista da CUF. Para este projeto de investigação a Associação Europeia de Urologia nomeou como coordenadores os especialistas David Subirá, em Portugal, e Bernardino Miñana, em Espanha.

 

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