Leiria inicia programa de cirurgia robótica

A Unidade Local de Saúde da Região de Leiria (ULSRL) iniciou o seu programa de cirurgia robótica, com as primeiras cirurgias robóticas a decorrerem no dia 5 de janeiro, no Hospital de Santo André, realizadas pela Unidade de Cirurgia Hepato-Bilio-Pancreática

“A intervenção inaugural correspondeu a uma resseção hepática (bi-segmentectomia) e, no mesmo dia, foi efetuado o tratamento de um tumor do pâncreas, através de uma espleno-pancreatectomia distal. Tratou-se, em ambos os casos, de cirurgias de elevada complexidade, que exigem um elevado grau de precisão técnica e diferenciação clínica”, destaca a instituição em comunicado.

O primeiro doente teve alta 48 horas após a cirurgia e o segundo ao quarto dia de internamento. Na segunda semana de janeiro foi realizada a terceira intervenção robótica, consolidando os resultados positivos associados a esta tecnologia.

A cirurgia robótica acrescenta à cirurgia minimamente invasiva um elevado potencial tecnológico, incluindo imagem 3D imersiva de alta definição, realidade aumentada e a possibilidade de utilização de corantes para identificação precisa de estruturas anatómicas como artérias, veias, vias biliares e sistema urinário. Esta tecnologia potencia ainda a comunicação, o ensino, a partilha em tempo real e a recolha de dados clínicos.

O Centro de Referência de que faz parte a Unidade de Cirurgia Hepato-Bilio-Pancreática, integrada no Serviço de Cirurgia Geral, dispõe de capacidade para realizar cirurgia robótica pelo menos um dia por semana. Está igualmente preparado para receber doentes de outras áreas geográficas, nomeadamente Santarém, Baixo Mondego, Médio Tejo e Oeste, reforçando o papel da ULSRL enquanto centro de referência oncológico regional.

 

SNS ensaia centros de elevado desempenho de ginecologia e obstetrícia

Foi publicado a 14 de janeiro o Decreto-Lei que cria os centros de elevado desempenho na área de obstetrícia e ginecologia (CED-ObGin), no âmbito do Serviço Nacional de Saúde (SNS)

A constituição de cada centro depende de despacho dos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças e da saúde, mediante proposta do estabelecimento interessado e parecer favorável do Diretor Executivo do SNS. O objetivo destes centros passa por contribuir para a estabilidade da resposta assistencial em áreas críticas, nomeadamente nos serviços de urgência, promover a eficiência e inovação organizacional, estimular o desempenho individual e o compromisso assistencial e contribuir para a retenção de profissionais.

A sua coordenação cabe ao diretor do departamento de obstetrícia e ginecologia ou ao diretor do serviço de obstetrícia e ginecologia e o seu plano de ação deve incluir a definição dos objetivos estratégicos e operacionais, as principais medidas a executar e os resultados assistenciais, formativos e científicos a alcançar.

Haverá incentivos calculados com base nos resultados de qualidade e em critérios de produtividade: para médicos especialistas, até 50 % da respetiva remuneração base. Para médicos internos de formação especializada, até 15 % ou 30 % da respetiva remuneração base, respetivamente, para médicos internos do 1.º ao 3.º anos da formação especializada e do 4.º ano e seguintes; para enfermeiros, até 30 %, para assistentes técnicos, até 15 % e para técnicos auxiliares de saúde, até 20 %.

A implementação faseada destas estruturas começará com projetos-piloto, criados por despacho dos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças e da saúde, sob proposta da Direção Executiva.

 

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ISEC – 3ª fase de candidaturas aberta – Mestrado em Sistemas Avançados de Gestão da Saúde (SAGS)

 

A 3ª fase de candidaturas ao Mestrado em Sistemas Avançados de Gestão da Saúde está aberta, no portal do IPC, até 27 de janeirohttps://www.isec.pt/pt/estudar/formas-de-ingresso/mestrados/#MestradosCandidaturas

 

Mais informações: https://www.isec.pt/PT/estudar/mestrados/MestSistAvGestSaude/

 

O Instituto Superior de Engenharia de Coimbra lançou em 2024 este curso de mestrado inovador em Portugal, dedicado a profissionais da área da saúde com pelo menos 5 anos de experiência profissional, e com duração de apenas 1 ano.  Esta formação, orientada para a investigação, aborda principalmente os desafios e oportunidades decorrentes da transição digital na saúde.

 

A 2ª edição deste curso deve ter início já no próximo mês de fevereiro.

 

Neste curso abordam-se algumas das técnicas modernas de Inteligência Artificial que estão neste momento a penetrar em diferentes serviços e áreas da saúde. Fala-se de oportunidades, desafios e limitações, com exemplos concretos em unidades de saúde.  Focam-se também alguns dos desafios e oportunidades na gestão dos novos equipamentos e dos dados por eles gerados.

 

 

 

 

 

Investigadores portugueses desenvolvem sistema para prevenir perda auditiva provocada pela quimioterapia

Projeto que integra investigadores de Coimbra e Porto pretende desenvolver e validar um sistema de telemedicina que permita a monitorização auditiva domiciliária de doentes submetidos a quimioterapia com cisplatina

 

Um grupo de investigadores do Departamento de Engenharia Informática (DEI) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e do IPO do Porto integram o consórcio europeu CHAFT – Monitorização domiciliária para identificar riscos de deficiência auditiva causada pela cisplatina, financiado pelo programa EU-INTERREG-SUDOE.

O projeto é coordenado pelo Centro Hospitalar Universitário de Montpellier (CHUM), e reúne instituições de Espanha e França, para além de Portugal.

De acordo com Joel P. Arrais, docente do DEI e investigador do Centro de Informática e Sistemas da Universidade de Coimbra (CISUC), este projeto pretende desenvolver e validar um sistema de telemedicina que permita a monitorização auditiva domiciliária de doentes submetidos a quimioterapia com cisplatina, um fármaco amplamente utilizado em oncologia, mas frequentemente associado a toxicidade auditiva irreversível.

“Através de uma aplicação instalada num tablet com auscultadores de redução ativa de ruído, os doentes poderão realizar testes audiométricos em casa, eliminando deslocações desnecessárias e garantindo um acompanhamento mais equitativo, especialmente em zonas rurais ou com menor acesso a cuidados especializados”, explica o coordenador do projeto na FCTUC em comunicado.

“Para além de propor uma solução tecnológica inovadora de monitorização e prevenção, o CHAFT pretende ainda reduzir as desigualdades no acesso aos cuidados de saúde e contribuir para a sustentabilidade ambiental, ao diminuir deslocações e otimizar recursos hospitalares”, sublinha o especialista.

O papel da FCTUC é central na componente de Inteligência Artificial do projeto. A equipa será responsável pelo desenvolvimento de modelos de aprendizagem automática e de análise de dados de sequenciação genómica. O objetivo é identificar novos padrões farmacogenómicos que permitam prever quais os doentes com maior predisposição genética para a perda auditiva induzida pela cisplatina, contribuindo assim para tratamentos personalizados e mais seguros.

“A integração de dados clínicos, audiométricos e genómicos através de IA permitirá antecipar o risco de toxicidade auditiva antes que esta se manifeste, abrindo caminho a uma medicina verdadeiramente personalizada”, conclui Joel P. Arrais.

Estratégias de combate ao cancro em debate a 4 de fevereiro

Situação epidemiológica do cancro em Portugal, novos rastreios de base populacional e desafios da oncologia pediátrica são alguns dos temas do evento que a DGS leva a cabo no IPO de Lisboa

No âmbito do Dia Mundial da Luta Contra o Cancro, assinalado a 4 de fevereiro, a Direção-Geral da Saúde (DGS), através do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas (PNDO), organiza uma sessão comemorativa no Anfiteatro do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa. O evento decorre a partir das 9h, reunindo especialistas, profissionais de saúde e representantes de instituições nacionais.

Sob o tema “Oncologia em Rede: Uma Estratégia Nacional”, a iniciativa pretende promover um espaço de diálogo sobre a situação epidemiológica do cancro em Portugal, os novos rastreios de base populacional e os desafios da oncologia pediátrica, destacando o papel do Serviço Nacional de Saúde (SNS) na prestação de cuidados clínicos aos doentes oncológicos.

O programa completo pode ser consultado AQUI

Arranca em março a quarta edição do Global Pharma

Foi lançada a quarta edição do curso executivo Global Pharma, da Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa, que decorrerá entre março e maio de 2026, na Faculdade de Medicina da Universidade Católica e no Hospital da Luz Lisboa. Destinatários são profissionais com diferentes níveis de experiência no setor farmacêutico

O programa foi concebido para profissionais que pretendem aprofundar conhecimentos e desenvolver uma visão estratégica, global e integrada da indústria. O plano curricular abrange áreas que moldam o presente e o futuro do setor, incluindo investigação e desenvolvimento (I&D), operações e supply chain, market access, modelos de negócio, tecnologia e inovação, tendências futuras em saúde, sustentabilidade e estratégias centradas no doente.

O Global Pharma tem uma forte componente prática e interativa, assente na análise de casos reais da indústria farmacêutica e no contacto direto com executivos de topo (C-level) e especialistas com vasta experiência nacional e internacional. O objetivo desta abordagem, segundo explica a Católica em comunicado, é permitir aos participantes aprofundar o conhecimento das dinâmicas do setor e desenvolver competências estratégicas essenciais para a tomada de decisão em contextos complexos.

A quarta edição deste curso executivo conta com oradores como Paulo Teixeira, Country Manager da Pfizer Portugal; Paula Martins de Jesus, Medical Director da MSD; Filipa Mota e Costa, Managing Director da J&J Innovative Medicine Portugal; Ana Cadete, CMS Project Leader da Sanofi; Hugo Barbosa, EU Customer Omnichannel Director da ViiV Healthcare; Paula Rosa, Senior Director Product Strategy da Roche; Paulo Barradas Rebelo, Chairman da Bluepharma, entre outros.

Para Ana Rita Constante, diretora executiva do Centro Académico Clínico Católica Luz (CAC-CL), este curso executivo distingue-se pela sua relevância transversal e impacto no desenvolvimento de talento: “O Curso Executivo Global Pharma é uma formação líder no setor, criando valor para qualquer profissional com interesse e ambição na indústria farmacêutica. Independentemente do background – seja em Saúde, Ciências Farmacêuticas, Gestão ou Direito – este curso proporciona acesso a temas atuais e críticos, lecionados por uma equipa internacional de excelência, preparando os participantes para responder aos desafios presentes e futuros do setor”, frisa a responsável, também citada no comunicado.

O Global Pharma é organizado pela GenH e pelo Centro Académico Clínico Católica- Luz, com o apoio da Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa, do Hospital da Luz Learning Health e da União das Misericórdias Portuguesas.

Mais informações e inscrições AQUI

Escassez de profissionais de saúde contribui para a vulnerabilidade a ciberataques

A Sophos concluiu, no seu estudo “State of Ransomware in Healthcare 2025”, que o ransomware, ou seja, o software malicioso, continua a ser uma ameaça significativa para o setor da saúde, colocando desafios persistentes à recuperação de dados e tendo um impacto direto nos profissionais que estão na linha da frente

A extorsão é um dos problemas, tendo triplicado a percentagem de prestadores cujos dados foram extorquidos sem encriptação desde 2023. Em contrapartida, a encriptação de dados caiu para o nível mais baixo dos últimos cinco anos, afetando apenas 34% das organizações. Ainda assim, em 2025 apenas 36% dos prestadores de cuidados de saúde pagou o resgate, uma forte descida em relação aos 61% de 2022.

Vários fatores contribuem para que os prestadores de cuidados de saúde sejam vítimas de ransomware, sendo o mais comum a falta de equipas internas/capacidade (42%) – ou seja, estas organizações reportam um número insuficiente de especialistas em cibersegurança a monitorizar os sistemas no momento dos ataques, aponta o estudo.

O problema tem impactos humanos, com 37% dos inquiridos a reportar aumento da ansiedade ou do stress devido a possíveis ataques, e quase um quarto registou ausência de equipas internas devido a esse stress.

Ainda assim, há também boas notícias, como a aceleração do tempo de recuperação, com a percentagem de organizações que recuperaram em até uma semana a passar de 21% em 2024 para 58% em 2025. Os pagamentos de resgate e os custos de recuperação também diminuíram. Entre 2024 e 2025, o valor mediano do resgate exigido a prestadores de cuidados de saúde caiu 91%, para 294 mil euros, e os custos de recuperação desceram para os valores mais baixos dos últimos três anos.

 

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Formação contínua para profissionais de saúde

Estão abertas, até 2 de fevereiro, as candidaturas ao concurso PESSOAS-2025-24 – Formação de profissionais do setor da saúde, dirigido a profissionais do setor público

O concurso tem uma dotação total de 4,9 milhões de euros, que integra 4,2 milhões de Fundo Social Europeu+ (FSE+).

São elegíveis como beneficiários potenciais no âmbito deste concurso apenas as pessoas coletivas de direito público que integram o Ministério da Saúde. As operações devem ser desenvolvidas nas regiões Norte, Centro e Alentejo, elegíveis ao Programa PESSOAS 2030, abrangendo ações de formação presenciais ou a distância, alinhadas com o Programa de Gestão Estratégica dos Recursos Humanos do SNS e com as reformas em curso no setor da Saúde.

A tipologia de operação “Formação de profissionais do setor da saúde” visa reforçar as competências técnico-científicas, digitais, de liderança e de gestão, promovendo a qualificação contínua dos profissionais e a adaptação às exigências da modernização dos serviços de saúde, incluindo a transição digital, a inovação e a humanização dos cuidados. Contribui para o objetivo específico de promover a aprendizagem ao longo da vida e a requalificação de adultos, enquadrando-se na prioridade “Mais e melhor (re)qualificação de adultos para crescer”.

As candidaturas devem ser submetidas através do Balcão dos Fundos. A organização recomenda evitar deixar o processo para o último dia para salvaguardar possíveis constrangimentos.

 

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Investigadores portugueses estão a modificar sílica extraída de biomassa para criar produtos melhorados e com melhor resistência ao fogo, água e bactérias

A bio sílica funcional será aplicada em materiais e componentes de diversos setores industriais, como têxteis e espumas das áreas automóvel e construção. Além de conferir propriedades únicas aos produtos, será uma alternativa natural à sílica sintética.

Há um laboratório em Portugal onde a sílica proveniente da biomassa tem vindo a ganhar novas funcionalidades. Este recurso de base biológica é uma alternativa à sílica sintética, material que é tipicamente produzido recorrendo a produtos químicos agressivos e com alto consumo energético. A bio sílica já é aplicada em diversos materiais e produtos industriais, mas graças a um grupo de cientistas portugueses vai poder passar a apresentar propriedades melhoradas, como repelência à água, retardância à chama e resistência microbiana. Este conjunto de atributos permitem valorizar esta bio sílica e alargar as suas possibilidades de utilização e aplicação.

É no CeNTI, um dos maiores centros de investigação privados do país, em Vila Nova de Famalicão, que esta inovação está a ganhar forma. As empresas que pretendam, podem recorrer ao CeNTI para testar e validar a incorporação da bio sílica funcional nos seus produtos, tornando-os mais competitivos.

O processo de extração da bio sílica a partir de resíduos agroindustriais, como é o caso da casca de arroz, já está amplamente reportado na literatura. O CeNTI diferencia-se, porque faz a modificação da bio sílica com diferentes agentes funcionais, aportando-lhes novas propriedades, nomeadamente antimicrobianas, de repelência à água e retardância à chama. Estas partículas de bio sílica modificada podem então ser integradas em produtos finais ou ser utilizadas como aditivos em novas formulações de polímeros, espumas e revestimentos de superfície. Ao fazer esta aditivação, os produtos finais passam a ter estas mesmas propriedades.

De acordo com os investigadores do CeNTI, esta bio sílica funcional  vai poder ser aplicada em materiais e produtos de diversos setores industriais, sendo um bom substituto da sílica sintética, amplamente utilizada na indústria: “Potencialmente, a bio sílica pode ser utilizada em qualquer setor onde já se utilize sílica sintética. Sabemos, por exemplo, que na Europa já é utilizada na produção de pneus. Por isso, e dado que se apresenta como um excelente substituto da sílica sintética, a bio sílica modificada pode ser usada em qualquer setor que tenha interesse nas propriedades que já testámos e conseguimos incorporar, ou mesmo outras, que podemos avaliar a pedido das empresas”, revela Mariana Cardoso, investigadora do CeNTI.

“Em termos práticos, estamos a falar, por exemplo, de têxteis ou espumas com aplicação na indústria automóvel – em assentos ou painéis de porta –, onde a resistência ou repelência à água é bastante relevante; podemos, também, referir alguns artigos têxteis onde é importante combater o acumulo e desenvolvimento de bactérias, como colchões e estofos. No setor da construção, destacamos as espumas de isolamento que, com estas novas propriedades, terão maior resistência ao fogo, indica a responsável.

Outra das vantagens associadas a esta bio sílica tem a ver com a sua proveniência de base natural. Atualmente, a extração é feita de casca de arroz, mas os investigadores garantem que há outras opções igualmente naturais e válidas: “Podem ser utilizados quaisquer resíduos agroindustriais e/ou florestais que sejam ricos em silicatos (um mineral presente na natureza). No CeNTI, já testámos diferentes tipos de resíduos, sendo que a casca de arroz e a palha de arroz foram, até ao momento, os resíduos que permitiram obter maior rendimento de produção. Adicionalmente, no nosso laboratório, podemos testar outros resíduos agroindustriais ou até cinzas de caldeiras de biomassa para se perceber o seu potencial de extração de sílica”, acrescenta a investigadora. Esta inovação do CeNTI está disponível para as empresas que queiram testar o potencial de aplicação da bio sílica nos seus produtos.

O espaço laboratorial está dotado de equipamentos de ponta especificamente direcionados para estes processos de extração e modificação da bio sílica, tecnologias que são operadas por uma equipa de investigadores com elevado conhecimento científico e prática na área, uma vez que o CeNTI tem já uma vasta experiência na valorização de diferentes tipos de biomassa, como agroindustrial, marinha e florestal, entre outras. Além disso, o CeNTI assegura, também, a caracterização (química, morfológica e funcional) de todas as partículas produzidas (modificadas ou não), avaliando e validando o seu desempenho.

Dotar os materiais e produtos de valor acrescentado e reduzir a utilização de sílica sintética na indústria são os principais objetivos do trabalho que está a ser desenvolvido neste centro de I&D. Por ser um material versátil, a sílica sintética é um recurso frequentemente utilizado em setores como o da construção, automóvel e têxtil. No entanto, o seu impacto negativo no ambiente e na saúde – associado à sua produção, uso e fim de vida – é já amplamente conhecido. Facto que tem levado a indústria a recorrer a soluções alternativas e sustentáveis, como é o caso da bio sílica.

 

Sobre o Projeto PRIMED

Esta inovação, que envolve a extração e modificação da bio sílica no CeNTI, resulta de um Projeto europeu, o PRIMED. Em Portugal, o Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes é a única entidade a integrar esta iniciativa europeia.

Com início em janeiro de 2024 e a decorrer até dezembro de 2026, o PRIMED é dinamizado por um consórcio multidisciplinar composto por 13 entidades – científicas, empresariais, académicas e regulamentares – de 8 países, nomeadamente Portugal, Espanha, Itália, Irlanda, Bélgica, Alemanha, Noruega e Filândia.

Converter os bio resíduos em produtos de base biológica que podem ser utilizados em múltiplas aplicações, com valor acrescentado no mercado, fomentar o conhecimento sobre bioeconomia e criar um ecossistema de colaboração, que envolva todos os agentes da cadeia de valor, incluindo os produtores do setor primário, são os objetivos concretos do PRIMED. Um Projeto que pretende ir mais longe, redesenhando não só o setor primário, mas também impulsionando a bioeconomia, gerando emprego e mais valor na indústria.

Este Projeto beneficia de financiamento do Programa-Quadro HORIZONTE da União Europeia ao abrigo da convenção de subvenção n.° 101135353.

Transplante renal robótico no São José

O Hospital Curry Cabral, integrado na Unidade Local de Saúde (ULS) São José, realizou um transplante renal totalmente robótico, num procedimento que envolveu um transplante de dador vivo, anunciou a ULS São José.

A intervenção decorreu no dia 13 de novembro, no Centro Hepato-Bilio-Pancreático e de Transplantação da ULS São José, tendo o pai, de 63 anos, doado um rim à filha, de 38 anos, diagnosticada com nefropatia em 2024 e em tratamento por diálise peritoneal desde então. Ambos se encontram a recuperar favoravelmente.

De acordo com a ULS São José e com o portal do SNS, o órgão foi implantado na fossa ilíaca direita, sendo esta a primeira vez em Portugal que todo o procedimento foi realizado exclusivamente por via robótica. A nefrectomia robótica do dador já vinha a ser praticada na instituição há mais de um ano, mas o implante renal era, até agora, efetuado por cirurgia convencional.

Segundo a instituição, esta abordagem permite uma recuperação mais rápida, menor tempo de internamento e uma redução do risco de complicações, tanto para o dador como para o recetor.

O cirurgião João Santos Coelho, que comandou o robô cirúrgico, destaca que a plataforma robótica Da Vinci permite uma execução altamente precisa das anastomoses vasculares e ureterais. “A ampliação e a destreza dos movimentos permitem realizar as suturas de forma rápida e com uma qualidade quase impossível de igualar no procedimento convencional, o que se traduz em maior segurança para o doente e melhor função e longevidade do rim transplantado”, explica.

Para o diretor do Centro Hepato-Bilio-Pancreático e de Transplantação, Hugo Pinto Marques, este procedimento “é mais um exemplo das vantagens da cirurgia robótica, com maior precisão cirúrgica, menor agressão para o organismo e uma recuperação mais rápida”.

A ULS São José salienta que, no caso do dador vivo, a nefrectomia robótica oferece benefícios adicionais, como menos dor pós-operatória, recuperação mais célere, cicatriz quase impercetível e elevados padrões de segurança.

A presidente do Conselho de Administração da ULS São José, Rosa Valente de Matos, afirma que “com este transplante pioneiro a nível nacional, a instituição está, uma vez mais, a inovar no cuidar”, defendendo que a aposta na inovação é fundamental para aumentar a qualidade dos cuidados prestados e para atrair e reter profissionais qualificados.

Nas duas cirurgias participaram os cirurgiões João Santos Coelho, Sofia Carrelha, Sofia Corado e Ana Pena, os anestesistas José Guerreiro e Paula Rocha, e as enfermeiras Cristina Rivera, Teresa Fonseca e Helena Figueiredo. O procedimento contou ainda com a presença, como supervisor, de Philippe Abreu, da Universidade do Colorado.