Católica lança curso avançado em Medicina do Sono Pediátrico

A Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa (FM-UCP) vai iniciar a primeira edição de uma formação pioneira em Portugal dedicada ao estudo e prática clínica do sono na infância. O curso de cariz internacional arranca dia 16 de janeiro, em formato b-learning, e será lecionado em inglês

 

A formação integra conhecimentos de Medicina do Sono e de Ciências do Sono, com o objetivo de colmatar a lacuna formativa nesta área e preparar profissionais capazes de atuar em diferentes contextos clínicos, laboratórios de sono e centros especializados, tanto em Portugal como no estrangeiro.

“Diversos aspetos do sono – como a duração, o tempo e a qualidade – influenciam a saúde física, o bem-estar mental, o desempenho e até a segurança da criança. Queremos ser pioneiros em Portugal, liderando o caminho nesta área de extrema importância e com grande impacto na qualidade da saúde infantil, contribuindo para uma formação médica diferenciada”, afirma Amélia Feliciano, docente da Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa e uma das coordenadoras do novo Curso Avançado, citada em comunicado.

Destinado a profissionais que atuam ou pretendem saber mais desta área, incluindo médicos, dentistas, técnicos, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos, cientistas do sono e terapeutas, a formação combina a componente teórica com a prática, realizada em centros de sono, onde os participantes terão contacto direto com exames de avaliação do sono e treino em análise e interpretação clínica.

“Nos últimos anos, o interesse pelo sono em idade pediátrica cresceu de forma significativa, com cada vez mais consultas de Pediatria a integrarem esta dimensão na avaliação da criança. Paralelamente, os programas de Medicina do Sono têm vindo a dedicar espaço ao sono pediátrico, tornando necessária uma formação que reúna especialistas diferenciados nesta área”, explica Susana Falardo Ramos, docente da Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa e também coordenadora do curso.

A Medicina do Sono ainda não é reconhecida como uma especialidade médica autónoma em vários países europeus, incluindo Portugal. Na prática, as perturbações do sono são abordadas por especialistas de diferentes áreas, o que, para a Faculdade, torna mais urgente a formação de profissionais com competências específicas neste campo.

Mais informações em: https://fm.ucp.pt/pt-pt/catolica-health-education-formacao-avancada/curso-avancado-em-medicina-do-sono-pediatrico

Mensagem de Natal – ATEHP

 

Nesta época especial, a ATEHP deseja a todos os seus associados, parceiros e profissionais da área da engenharia hospitalar e das tecnologias da saúde um Santo e Feliz Natal, repleto de paz, saúde e esperança.

Que esta quadra natalícia seja um momento de renovação, união e reflexão, reforçando o compromisso com a excelência e a inovação, valores que continuam a orientar a missão da ATEHP.

A todos, os nossos votos de um Novo Ano cheio de sucessos, projetos concretizados e contínua valorização do conhecimento ao serviço da saúde.

Boas Festas!

ATEHP junto dos seus associados – ULS do Baixo Mondego

A ATEHP realizou recentemente uma visita à Unidade Local de Saúde (ULS) do Baixo Mondego, numa iniciativa desenvolvida em colaboração com o Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC).
A deslocação permitiu um contacto direto com a realidade da ULS do Baixo Mondego, proporcionado um momento de diálogo construtivo sobre desafios atuais, oportunidades de desenvolvimento e potenciais projetos conjuntos que contribuam para a melhoria dos serviços de saúde.
A ATEHP agradece à ULS do Baixo Mondego a disponibilidade e a forma acolhedora como recebeu esta iniciativa, bem como ao ISEC pela parceria e colaboração, reforçando o compromisso conjunto com a valorização do conhecimento técnico e cientifico ao serviço da saúde.

 

ULS Braga recorre a sistema robótico para cirurgia ao joelho

A Unidade Local de Saúde de Braga realizou a sua primeira artroplastia total do joelho e duas artroplastias unicompartimentais com recurso ao sistema robótico CORI

De acordo com um comunicado da unidade de saúde, esta plataforma robótica permite uma abordagem altamente precisa, favorece o equilíbrio protésico e potencia percursos de recuperação mais eficazes, alinhando a atividade assistencial com padrões internacionais de excelência, segurança e inovação.

Nuno Tavares, Médico Ortopedista responsável pela Unidade do Joelho do Serviço de Ortopedia da ULS Braga, afirma que a cirurgia robótica representa um avanço significativo na personalização do tratamento. Citado em comunicado, o especialista explica que este tipo de abordagem permite um posicionamento mais rigoroso dos componentes e um cálculo exato das suas dimensões, tornando possível “uma prótese mais adaptada ao doente que temos em mãos”.

Nuno Tavares sublinha ainda que o sistema robótico acrescenta uma camada adicional de segurança ao ato cirúrgico, ao impedir a execução de cortes ou perfurações fora das áreas previamente definidas, “o que reduz a margem de erro e torna o procedimento substancialmente mais seguro”.

O Médico Ortopedista destaca também a relevância desta tecnologia na obtenção de resultados mais consistentes e reprodutivos, independentemente do grau de experiência individual do cirurgião. Na sua perspetiva, a cirurgia robótica contribui para minimizar a dependência da intuição e da variabilidade técnica, promovendo maior previsibilidade clínica.

“O futuro passa inevitavelmente por aqui”, afirma ainda Nuno Tavares, acrescentando que a adoção desta tecnologia abre portas a novos procedimentos, técnicas e aplicações cirúrgicas. “Temos de acompanhar a evolução tecnológica e incorporá-la na nossa prática, para continuarmos a oferecer aos nossos doentes o melhor que existe a nível mundial”, reforça.

A equipa cirúrgica integrou três médicos ortopedistas, dois enfermeiros e um instrumentista, refletindo uma abordagem multidisciplinar altamente especializada.

Estudante da UC desenvolve modelo de IA para descoberta e otimização de fármacos

Yanan Tian, aluna do Programa de Doutoramento Conjunto entre a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e a Macao Polytechnic University (MPU), desenvolveu um modelo de inteligência artificial (IA) que visa a descoberta e otimização de fármacos

 

Esta investigação, publicada na revista Nature Communications, foi realizada sob a orientação dos professores Joel P. Arrais, do Departamento de Engenharia Informática da FCTUC, e Huanxiang Liu, da MPU, no âmbito do programa Dual Doctoral Degree MPU-UC, que visa promover a cooperação científica e a formação avançada entre Portugal e Macau.

As proteínas quinases constituem uma das classes de alvos terapêuticos mais relevantes na investigação biomédica. O seu potencial resulta do papel central que desempenham na regulação de múltiplos processos celulares, incluindo proliferação, diferenciação e morte celular. No entanto, o desenvolvimento de inibidores altamente seletivos continua a ser um desafio, devido à forte conservação estrutural entre as quinases e ao elevado custo dos ensaios experimentais.

“Este trabalho propõe o modelo MMCLKin, uma estrutura baseada em métodos de IA avançada, concebida para prever com elevada precisão e interpretabilidade a atividade e seletividade de inibidores de quinases, acelerando significativamente o processo de descoberta e otimização de novos fármacos direcionados”, explica Yanan Tian, citada em comunicado da universidade.

O MMCLKin combina redes de grafos geométricos, modelos de linguagem para sequências proteicas e mecanismos de atenção multicanal para identificar as características críticas das interações entre quinases e fármacos. “Os resultados demonstram que o modelo supera os métodos existentes na previsão da afinidade e seletividade de inibidores, mesmo em casos que envolvem estruturas desconhecidas ou quinases mutadas”, afirma Joel P. Arrais.

De acordo com os autores do estudo, os ensaios biológicos ADP-Glo validaram o poder preditivo do modelo, demonstrando que cinco compostos sugeridos pelo MMCLKin inibem de forma eficaz a mutação LRRK2 G2019S, associada a doenças neurodegenerativas, sendo quatro deles ativos em concentrações nanomolares. Estes resultados reforçam o potencial do MMCLKin como ferramenta para acelerar o desenvolvimento de terapias direcionadas, abrindo novas perspetivas para o desenho racional de fármacos com maior seletividade e eficácia clínica.

“A abordagem proposta representa um avanço na aplicação da Inteligência Artificial à descoberta de fármacos, demonstrando como modelos computacionais de nova geração podem reproduzir in silico processos biológicos complexos que, de forma experimental, podem demorar anos ou mesmo décadas. O MMCLKin exemplifica como modelos baseados em IA conseguem simular e compreender interações moleculares com um grau de detalhe que permite prever a atividade e a seletividade de inibidores com elevada precisão”, sublinham os investigadores.

Esta capacidade permite a identificação rápida de candidatos terapêuticos promissores, reduzindo significativamente o tempo e o custo da investigação farmacêutica. Para além do seu impacto imediato, o MMCLKin abre novas direções de investigação no campo da modelação de quinases, ao proporcionar um quadro unificado para analisar padrões estruturais, mutacionais e funcionais ao longo de toda a família de quinases humanas.

“Este tipo de abordagem pode evoluir para modelos generalistas capazes de antecipar o comportamento de novas quinases — incluindo aquelas ainda sem estrutura identificada — e apoiar o desenho racional de terapias seletivas e personalizadas em diversas áreas, desde o cancro às doenças neurodegenerativas”, concluem os académicos.

O artigo científico “Enhancing Kinase-Inhibitor Activity and Selectivity Prediction Through Contrastive Learning” está disponível para consulta aqui.

Parceria entre GS1 e Google Lens vai facilitar leitura de códigos de medicamentos

A GS1, organização global responsável pelo Sistema de Standards, anunciou uma nova colaboração com a Google. Esta parceria vai permitir que os códigos GS1 Data Matrix – já presentes em milhões de embalagens de medicamentos – sejam lidos e reconhecidos pelo Google Lens, a ferramenta de pesquisa visual da tecnológica

Com esta funcionalidade, doentes, cuidadores e profissionais de saúde vão poder usar os seus smartphones para ler os códigos e aceder instantaneamente a informação fidedigna sobre o produto, como os folhetos informativos eletrónicos (ePILs).

A funcionalidade já está disponível no Google Lens e a amplitude da informação acessível dependerá apenas da adesão dos fabricantes. A GS1 está a colaborar ativamente com várias empresas em todo o mundo para implementar esta funcionalidade, incentivando todos os fabricantes da indústria farmacêutica e de dispositivos médicos a disponibilizarem online a informação dos seus produtos. O objetivo é que todos os doentes, em qualquer lugar, possam beneficiar desta inovação.

O código GS1 Data Matrix contém detalhes como o número de lote, a data de validade e identificadores únicos — informação-chave exigida pela regulamentação em mais de 70 países. Atualmente, mais de 16 mil milhões de embalagens de medicamentos nos EUA e na União Europeia já apresentam estes códigos.

FOTO BRETT JORDAN/ UNSPLASH

Investigadora distinguida por trabalho sobre parasitas

Sara Silva Pereira, investigadora do Católica Biomedical Research Centre (CBR) e docente na Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa (FM-UCP), foi distinguida com a BSP President’s Medal, o mais alto prémio científico para jovens investigadores de excelência atribuído no Reino Unido na área da parasitologia

 

Esta é a segunda vez que a distinção é atribuída fora do Reino Unido. A investigadora afirma que se trata de uma motivação para a continuidade do trabalho que, com a sua equipa, tem vindo a desenvolver na exploração dos mecanismos de sobrevivência dos tripanossomas. “Compreender estes processos é fundamental para desenvolver estratégias mais eficazes para controlar doenças infeciosas negligenciadas que continuam a afetar milhões de animais e pessoas”, afirma a investigadora, citada em comunicado.

Desde 2023, Sara Silva Pereira lidera o Laboratório de Interações Parasita – Vasculatura, integrado no CBR, onde investiga a forma como os tripanossomas africanos, parasitas responsáveis pela doença do sono, interagem com os hospedeiros mamíferos – gado e humanos -, com especial foco nas células que revestem os vasos sanguíneos, as células endoteliais.

A investigação de Sara Silva Pereira procura compreender como é que o “diálogo” entre o parasita e os vasos sanguíneos afeta tanto a sobrevivência do tripanossoma como a apresentação clínica da doença. Quando um humano ou animal é picado por uma mosca tsé-tsé infetada com tripanossoma, pode formar-se um caroço ou ulceração dolorida localizada, seguida de febre, emaciação, letargia, distúrbios do sono, confusão, e descoordenação motora.  Se a doença não for tratada, é invariavelmente letal. Os parasitas interagem com a barreira hematoencefálica, causando inflamação e danos no sistema nervoso central que podem ser fatais na ausência de tratamento farmacológico. Em animais de produção, a doença provoca reduções acentuadas no desempenho zootécnico, estimadas em 1.5 mil milhões de dólares por ano, e elevada mortalidade, estimada em 3 milhões de cabeças de gado por ano.

O grupo desta investigadora integra abordagens computacionais e de biologia da infeção com sistemas de bioengenharia de tecidos, que permitem recriar ambientes fisiológicos mais próximos dos cenários reais de doença. O objetivo último da investigação que lidera é compreender como os tripanossomas conseguem sobreviver no hospedeiro, abrindo caminho para o desenvolvimento de novas terapias.

Criado em 2019, a BSP President’s Medal é um prémio anual para reconhecer cientistas “em início de carreira que tenham produzido investigação de qualidade internacional, tenham gerado impacto tangível na área da parasitologia e demonstrem potencial para se tornarem líderes mundiais neste campo científico”. Os cinco anteriores recipientes desta medalha foram Mattie Pawlovic, Emma Briggs, Joana Correia Faria, Habil Grzybek e Juan Quintana, nomes cada vez mais salientes no mundo da parasitologia.

Consumos energéticos e inteligência artificial entre os vencedores do Prémio Inovação em Saúde

Iniciativa da Sanofi, da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL) e da NTT DATA Portugal distinguiu as melhores práticas em sustentabilidade social, ambiental, económica e na transformação digital do setor da saúde em Portugal

Foram anunciados a 26 de novembro os vencedores da 2.ª edição do “Prémio Inovação em Saúde – Todos pela Sustentabilidade”, numa cerimónia que decorreu no Auditório João Lobo Antunes, na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL).

Numa cerimónia que contou com a presença de Maria de Belém Roseira e Ana Povo, Secretária de Estado da Saúde, e perante uma plateia de especialistas e profissionais do setor, foram distinguidos projetos de sustentabilidade ambiental, transformação digital e sustentabilidade social.

Na categoria Sustentabilidade Social, o vencedor foi o projeto iSIGHT – Inovação em Serviços Integrados Pré-Hospitalares de Tratamento Oftalmológico (Unidade Local de Saúde de Santa Maria; Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa). O projeto visa implementar o primeiro centro de rastreio de glaucoma e retinopatia diabética totalmente integrado nos cuidados de saúde primários e baseado em Inteligência Artificial (IA). Utilizando um software de IA com elevada precisão, o iSIGHT permite a identificação precoce e eficiente destas doenças oculares, tendo demonstrado, nos pilotos, uma eficácia três vezes superior ao modelo de rastreio tradicional.

Em Sustentabilidade Ambiental, foi premiado o projeto EcoScan – Monitorização de consumos energéticos em Ressonância Magnética (Parceria entre Siemens Healthineers e Luz Saúde). O objetivo é medir e reduzir o consumo energético de equipamentos de ressonância magnética em ambiente hospitalar e otimizar os fluxos de trabalho, para além de avaliar o impacto de software de reconstrução de imagem com IA, de forma a diminuir a pegada ambiental destes equipamentos.

Na categoria Sustentabilidade na Transformação Digital, o vencedor foi o projeto Artificial Intelligence in Digestive Healthcare: See More, See Beyond, Decide Better (DIGESTAID – ARTIFICIAL INTELLIGENCE DEVELOPMENT, S.A.). Criado a partir da necessidade de superar as limitações no diagnóstico de doenças digestivas, este projeto lidera o desenvolvimento de uma plataforma de IA. A DigestAID desenvolve soluções que abrangem múltiplas áreas da saúde digestiva, desde ferramentas para endoscopia e motilidade até algoritmos para cirurgia, com o objetivo de melhorar a precisão do diagnóstico e completar o espectro de cuidados aos doentes.

Nesta edição, o “Prémio Inovação em Saúde – Todos pela Sustentabilidade” fez também o convite aos estudantes do ensino superior, para participarem nas quatro categorias, com um painel de avaliação exclusivo para as candidaturas da nova geração. Os vencedores destacaram-se em duas categorias. Na categoria Sustentabilidade na Transformação Digital (estudantes), foi atribuído o prémio ao projeto ConversAI (Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa). Trata-se de uma plataforma inovadora que utiliza IA para simular Exames Clínicos Objetivos Estruturados (OSCEs), destinada à formação de estudantes de medicina. A ferramenta permite que os alunos interajam com doentes virtuais realistas, treinando as suas competências clínicas, de comunicação e de tomada de decisão num ambiente seguro e controlado.

Já na categoria Sustentabilidade Económica (estudantes), ganhou o projeto AIDrug4Sustainability – Inteligência artificial para o desenho e produção sustentável de fármacos (Gulbenkian Institute for Molecular Medicine).

Este projeto foca-se no desenvolvimento de uma nova abordagem para o tratamento do cancro da mama, utilizando IA para desenhar proteínas terapêuticas inovadoras. Ao contrário dos tratamentos atuais, dispendiosos e de produção complexa, esta tecnologia permite criar fármacos de forma mais eficiente e sustentável, representando um avanço económico e de saúde na biotecnologia.

Foram ainda atribuídas três Menções Honrosas. Na categoria Sustentabilidade Social, o projeto Mobile Kitchen Lab (Município de Benavente) foi distinguido pela sua abordagem inovadora na promoção de hábitos alimentares saudáveis, levando educação culinária prática a jovens em idade escolar. Na categoria Sustentabilidade na Transformação Digital, foram ainda atribuídas duas menções honrosas. Uma ao projeto Mesa Interactiva para Reabilitação e Promoção de Competências (Agência Regional para o Desenvolvimento da Investigação, Tecnologia e Inovação), por desenvolver uma solução de realidade virtual com jogos sérios para a reabilitação de sobreviventes de AVC. A outra menção honrosa foi para um estudante, também na categoria Sustentabilidade na Transformação Digital, com o projeto Advancing Patient-Centered Rehabilitation Care with eHealth (Serviço de Medicina Física e de Reabilitação da ULS de Gaia e Espinho e Faculdade de Medicina da Universidade do Porto), pela aplicação de tecnologias digitais como a plataforma SIMPLI.REHAB para modernizar a reabilitação.

Os vencedores foram selecionados por um júri presidido por Maria de Belém Roseira, que avaliou as candidaturas com base no seu mérito, inovação e potencial de impacto.

Tecnologia para traduzir sinais cerebrais em movimento físico através de mão robótica e realidade virtual no pós-AVC

O projeto UpReGain, liderado por um grupo de investigadores do Instituto de Sistemas e Robótica (ISR) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), está a testar a utilização de estratégias inovadoras e personalizadas para apoiar a reabilitação de pacientes que sofreram de acidente vascular cerebral (AVC)

Os primeiros ensaios estão a ser realizados com pessoas saudáveis, mas dentro de pouco tempo o projeto avançará para testes com pacientes de AVC.

“Neste projeto combinamos uma interface cérebro-computador (BCI) – que estabelece uma ligação direta entre o cérebro e dispositivos externos, sem recorrer a músculos ou nervos –, um exoesqueleto de mão robótica, que oferece feedback físico e somatossensorial, e ambientes de realidade virtual com elementos de gamificação. Esta combinação permite aos pacientes visualizar os movimentos num avatar e executar tarefas em contexto de jogo”, explica Aniana Cruz, investigadora do ISR e coordenadora do projeto UpReGain, citada em comunicado.

De acordo com a especialista, o objetivo principal é o uso da imaginação motora: ao imaginar abrir ou fechar a mão, o cérebro ativa as mesmas áreas motoras como se o movimento fosse realmente executado. Esse sinal cerebral, captado por electroencefalografia (EEG), é interpretado pelo sistema e transformado em feedback visual (mão virtual), físico (mão robótica) ou em atividades gamificadas (por exemplo: agarrar objetos, espremer frutas, encher um copo).

“O nosso objetivo é comparar abordagens distintas – imaginação motora com feedback robótico, com avatar virtual ou com jogos gamificados – e avaliar o impacto de cada uma em relação à terapia convencional. Pretendemos, também, uma reabilitação de acordo com o perfil de cada paciente e a sua evolução clínica, combinando EEG com Eletromiografia (EMG), uma técnica que regista a atividade elétrica dos músculos, em casos de movimento residual. Queremos, ainda, avaliar a viabilidade prática, nomeadamente no que diz respeito à preparação, calibração, tempo de utilização e aceitação, tanto pelos pacientes como pelos profissionais de saúde”, destaca Aniana Cruz.

O projeto UpReGain é liderado por uma equipa multidisciplinar do ISR, com investigadores especializados em BCI, realidade virtual, reabilitação e visão por computador, em colaboração com a Unidade Local de Saúde de Coimbra / Polo Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro – Rovisco Pais.

“O objetivo final é transferir a tecnologia BCI do laboratório para a prática clínica, contribuindo para aumentar significativamente a taxa e a qualidade da recuperação motora após um AVC”, resume a investigadora.

Europa não deverá conseguir cumprir metas de combate à resistência aos antimicrobianos até 2030

Dados publicados pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC) mostram que a resistência aos antibióticos continua a aumentar na União Europeia e no Espaço Económico Europeu

O aumento do fenómeno de resistência, a par da falta de novos tratamentos eficazes, alimenta uma crise de saúde pública na Europa e a nível global.

Em 2023, o Conselho da União Europeia instou os Estados-Membros a assegurar que, até 2030, o consumo total de antibióticos nos seres humanos [na dose diária definida (DDD) por 1 000 habitantes por dia], nos setores comunitário e hospitalar combinados, incluindo em estabelecimentos de cuidados continuados e em contextos de cuidados domiciliários, seja reduzido em 20 %. Outra das metas era garantir a redução em 15 % a incidência total de infeções da corrente sanguínea por Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA), comparativamente a 2019. Outro objetivo era reduzir em 10 % a incidência total de infeções da corrente sanguínea por Escherichia coli resistente à cefalosporia de terceira geração, e em 5 % a incidência total de infeções da corrente sanguínea por Klebsiella pneumoniae resistente a carbapenemas.

Ora, desde 2019, estima-se que a incidência de infeções da corrente sanguínea causada pela Klebsiella pneumoniae resistente aos carbapenemes tenha aumentado mais de 60 %. Já as infeções da corrente sanguínea por Escherichia coli resistente à cefalosporia de terceira geração aumentaram mais de 5 %.

O consumo de antibióticos também aumentou em 2024. A proporção de antibióticos de primeira linha utilizados, que deveriam representar pelo menos 65 % do total, mantém-se nos 60 %.

O ECDC estima que as infeções resistentes aos antimicrobianos causem mais de 35 mil mortes todos os anos na União Europeia e no Espaço Económico Europeu, um fardo substancial sobre indivíduos, sociedades e sistemas de saúde. Tudo isto tem consequências graves, como comprometer tratamentos como transplantes ou terapias oncológicas.

O envelhecimento populacional, com a carga de doença crónica associada, a transmissão transfronteiriça de microrganismos resistentes e o uso persistente de antibióticos, combinado com falhas na prevenção e controlo, contribuem para o aumento da prevalência de infeções difíceis de tratar. Além disso, o uso de antibióticos de primeira linha não está totalmente otimizado e a dependência de antibióticos de última linha tem vindo a aumentar.

 

FOTO STEVEPH/ PIXABAY