Escassez de profissionais de saúde contribui para a vulnerabilidade a ciberataques

A Sophos concluiu, no seu estudo “State of Ransomware in Healthcare 2025”, que o ransomware, ou seja, o software malicioso, continua a ser uma ameaça significativa para o setor da saúde, colocando desafios persistentes à recuperação de dados e tendo um impacto direto nos profissionais que estão na linha da frente

A extorsão é um dos problemas, tendo triplicado a percentagem de prestadores cujos dados foram extorquidos sem encriptação desde 2023. Em contrapartida, a encriptação de dados caiu para o nível mais baixo dos últimos cinco anos, afetando apenas 34% das organizações. Ainda assim, em 2025 apenas 36% dos prestadores de cuidados de saúde pagou o resgate, uma forte descida em relação aos 61% de 2022.

Vários fatores contribuem para que os prestadores de cuidados de saúde sejam vítimas de ransomware, sendo o mais comum a falta de equipas internas/capacidade (42%) – ou seja, estas organizações reportam um número insuficiente de especialistas em cibersegurança a monitorizar os sistemas no momento dos ataques, aponta o estudo.

O problema tem impactos humanos, com 37% dos inquiridos a reportar aumento da ansiedade ou do stress devido a possíveis ataques, e quase um quarto registou ausência de equipas internas devido a esse stress.

Ainda assim, há também boas notícias, como a aceleração do tempo de recuperação, com a percentagem de organizações que recuperaram em até uma semana a passar de 21% em 2024 para 58% em 2025. Os pagamentos de resgate e os custos de recuperação também diminuíram. Entre 2024 e 2025, o valor mediano do resgate exigido a prestadores de cuidados de saúde caiu 91%, para 294 mil euros, e os custos de recuperação desceram para os valores mais baixos dos últimos três anos.

 

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Formação contínua para profissionais de saúde

Estão abertas, até 2 de fevereiro, as candidaturas ao concurso PESSOAS-2025-24 – Formação de profissionais do setor da saúde, dirigido a profissionais do setor público

O concurso tem uma dotação total de 4,9 milhões de euros, que integra 4,2 milhões de Fundo Social Europeu+ (FSE+).

São elegíveis como beneficiários potenciais no âmbito deste concurso apenas as pessoas coletivas de direito público que integram o Ministério da Saúde. As operações devem ser desenvolvidas nas regiões Norte, Centro e Alentejo, elegíveis ao Programa PESSOAS 2030, abrangendo ações de formação presenciais ou a distância, alinhadas com o Programa de Gestão Estratégica dos Recursos Humanos do SNS e com as reformas em curso no setor da Saúde.

A tipologia de operação “Formação de profissionais do setor da saúde” visa reforçar as competências técnico-científicas, digitais, de liderança e de gestão, promovendo a qualificação contínua dos profissionais e a adaptação às exigências da modernização dos serviços de saúde, incluindo a transição digital, a inovação e a humanização dos cuidados. Contribui para o objetivo específico de promover a aprendizagem ao longo da vida e a requalificação de adultos, enquadrando-se na prioridade “Mais e melhor (re)qualificação de adultos para crescer”.

As candidaturas devem ser submetidas através do Balcão dos Fundos. A organização recomenda evitar deixar o processo para o último dia para salvaguardar possíveis constrangimentos.

 

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Investigadores portugueses estão a modificar sílica extraída de biomassa para criar produtos melhorados e com melhor resistência ao fogo, água e bactérias

A bio sílica funcional será aplicada em materiais e componentes de diversos setores industriais, como têxteis e espumas das áreas automóvel e construção. Além de conferir propriedades únicas aos produtos, será uma alternativa natural à sílica sintética.

Há um laboratório em Portugal onde a sílica proveniente da biomassa tem vindo a ganhar novas funcionalidades. Este recurso de base biológica é uma alternativa à sílica sintética, material que é tipicamente produzido recorrendo a produtos químicos agressivos e com alto consumo energético. A bio sílica já é aplicada em diversos materiais e produtos industriais, mas graças a um grupo de cientistas portugueses vai poder passar a apresentar propriedades melhoradas, como repelência à água, retardância à chama e resistência microbiana. Este conjunto de atributos permitem valorizar esta bio sílica e alargar as suas possibilidades de utilização e aplicação.

É no CeNTI, um dos maiores centros de investigação privados do país, em Vila Nova de Famalicão, que esta inovação está a ganhar forma. As empresas que pretendam, podem recorrer ao CeNTI para testar e validar a incorporação da bio sílica funcional nos seus produtos, tornando-os mais competitivos.

O processo de extração da bio sílica a partir de resíduos agroindustriais, como é o caso da casca de arroz, já está amplamente reportado na literatura. O CeNTI diferencia-se, porque faz a modificação da bio sílica com diferentes agentes funcionais, aportando-lhes novas propriedades, nomeadamente antimicrobianas, de repelência à água e retardância à chama. Estas partículas de bio sílica modificada podem então ser integradas em produtos finais ou ser utilizadas como aditivos em novas formulações de polímeros, espumas e revestimentos de superfície. Ao fazer esta aditivação, os produtos finais passam a ter estas mesmas propriedades.

De acordo com os investigadores do CeNTI, esta bio sílica funcional  vai poder ser aplicada em materiais e produtos de diversos setores industriais, sendo um bom substituto da sílica sintética, amplamente utilizada na indústria: “Potencialmente, a bio sílica pode ser utilizada em qualquer setor onde já se utilize sílica sintética. Sabemos, por exemplo, que na Europa já é utilizada na produção de pneus. Por isso, e dado que se apresenta como um excelente substituto da sílica sintética, a bio sílica modificada pode ser usada em qualquer setor que tenha interesse nas propriedades que já testámos e conseguimos incorporar, ou mesmo outras, que podemos avaliar a pedido das empresas”, revela Mariana Cardoso, investigadora do CeNTI.

“Em termos práticos, estamos a falar, por exemplo, de têxteis ou espumas com aplicação na indústria automóvel – em assentos ou painéis de porta –, onde a resistência ou repelência à água é bastante relevante; podemos, também, referir alguns artigos têxteis onde é importante combater o acumulo e desenvolvimento de bactérias, como colchões e estofos. No setor da construção, destacamos as espumas de isolamento que, com estas novas propriedades, terão maior resistência ao fogo, indica a responsável.

Outra das vantagens associadas a esta bio sílica tem a ver com a sua proveniência de base natural. Atualmente, a extração é feita de casca de arroz, mas os investigadores garantem que há outras opções igualmente naturais e válidas: “Podem ser utilizados quaisquer resíduos agroindustriais e/ou florestais que sejam ricos em silicatos (um mineral presente na natureza). No CeNTI, já testámos diferentes tipos de resíduos, sendo que a casca de arroz e a palha de arroz foram, até ao momento, os resíduos que permitiram obter maior rendimento de produção. Adicionalmente, no nosso laboratório, podemos testar outros resíduos agroindustriais ou até cinzas de caldeiras de biomassa para se perceber o seu potencial de extração de sílica”, acrescenta a investigadora. Esta inovação do CeNTI está disponível para as empresas que queiram testar o potencial de aplicação da bio sílica nos seus produtos.

O espaço laboratorial está dotado de equipamentos de ponta especificamente direcionados para estes processos de extração e modificação da bio sílica, tecnologias que são operadas por uma equipa de investigadores com elevado conhecimento científico e prática na área, uma vez que o CeNTI tem já uma vasta experiência na valorização de diferentes tipos de biomassa, como agroindustrial, marinha e florestal, entre outras. Além disso, o CeNTI assegura, também, a caracterização (química, morfológica e funcional) de todas as partículas produzidas (modificadas ou não), avaliando e validando o seu desempenho.

Dotar os materiais e produtos de valor acrescentado e reduzir a utilização de sílica sintética na indústria são os principais objetivos do trabalho que está a ser desenvolvido neste centro de I&D. Por ser um material versátil, a sílica sintética é um recurso frequentemente utilizado em setores como o da construção, automóvel e têxtil. No entanto, o seu impacto negativo no ambiente e na saúde – associado à sua produção, uso e fim de vida – é já amplamente conhecido. Facto que tem levado a indústria a recorrer a soluções alternativas e sustentáveis, como é o caso da bio sílica.

 

Sobre o Projeto PRIMED

Esta inovação, que envolve a extração e modificação da bio sílica no CeNTI, resulta de um Projeto europeu, o PRIMED. Em Portugal, o Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes é a única entidade a integrar esta iniciativa europeia.

Com início em janeiro de 2024 e a decorrer até dezembro de 2026, o PRIMED é dinamizado por um consórcio multidisciplinar composto por 13 entidades – científicas, empresariais, académicas e regulamentares – de 8 países, nomeadamente Portugal, Espanha, Itália, Irlanda, Bélgica, Alemanha, Noruega e Filândia.

Converter os bio resíduos em produtos de base biológica que podem ser utilizados em múltiplas aplicações, com valor acrescentado no mercado, fomentar o conhecimento sobre bioeconomia e criar um ecossistema de colaboração, que envolva todos os agentes da cadeia de valor, incluindo os produtores do setor primário, são os objetivos concretos do PRIMED. Um Projeto que pretende ir mais longe, redesenhando não só o setor primário, mas também impulsionando a bioeconomia, gerando emprego e mais valor na indústria.

Este Projeto beneficia de financiamento do Programa-Quadro HORIZONTE da União Europeia ao abrigo da convenção de subvenção n.° 101135353.

Transplante renal robótico no São José

O Hospital Curry Cabral, integrado na Unidade Local de Saúde (ULS) São José, realizou um transplante renal totalmente robótico, num procedimento que envolveu um transplante de dador vivo, anunciou a ULS São José.

A intervenção decorreu no dia 13 de novembro, no Centro Hepato-Bilio-Pancreático e de Transplantação da ULS São José, tendo o pai, de 63 anos, doado um rim à filha, de 38 anos, diagnosticada com nefropatia em 2024 e em tratamento por diálise peritoneal desde então. Ambos se encontram a recuperar favoravelmente.

De acordo com a ULS São José e com o portal do SNS, o órgão foi implantado na fossa ilíaca direita, sendo esta a primeira vez em Portugal que todo o procedimento foi realizado exclusivamente por via robótica. A nefrectomia robótica do dador já vinha a ser praticada na instituição há mais de um ano, mas o implante renal era, até agora, efetuado por cirurgia convencional.

Segundo a instituição, esta abordagem permite uma recuperação mais rápida, menor tempo de internamento e uma redução do risco de complicações, tanto para o dador como para o recetor.

O cirurgião João Santos Coelho, que comandou o robô cirúrgico, destaca que a plataforma robótica Da Vinci permite uma execução altamente precisa das anastomoses vasculares e ureterais. “A ampliação e a destreza dos movimentos permitem realizar as suturas de forma rápida e com uma qualidade quase impossível de igualar no procedimento convencional, o que se traduz em maior segurança para o doente e melhor função e longevidade do rim transplantado”, explica.

Para o diretor do Centro Hepato-Bilio-Pancreático e de Transplantação, Hugo Pinto Marques, este procedimento “é mais um exemplo das vantagens da cirurgia robótica, com maior precisão cirúrgica, menor agressão para o organismo e uma recuperação mais rápida”.

A ULS São José salienta que, no caso do dador vivo, a nefrectomia robótica oferece benefícios adicionais, como menos dor pós-operatória, recuperação mais célere, cicatriz quase impercetível e elevados padrões de segurança.

A presidente do Conselho de Administração da ULS São José, Rosa Valente de Matos, afirma que “com este transplante pioneiro a nível nacional, a instituição está, uma vez mais, a inovar no cuidar”, defendendo que a aposta na inovação é fundamental para aumentar a qualidade dos cuidados prestados e para atrair e reter profissionais qualificados.

Nas duas cirurgias participaram os cirurgiões João Santos Coelho, Sofia Carrelha, Sofia Corado e Ana Pena, os anestesistas José Guerreiro e Paula Rocha, e as enfermeiras Cristina Rivera, Teresa Fonseca e Helena Figueiredo. O procedimento contou ainda com a presença, como supervisor, de Philippe Abreu, da Universidade do Colorado.

Católica lança curso avançado em Medicina do Sono Pediátrico

A Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa (FM-UCP) vai iniciar a primeira edição de uma formação pioneira em Portugal dedicada ao estudo e prática clínica do sono na infância. O curso de cariz internacional arranca dia 16 de janeiro, em formato b-learning, e será lecionado em inglês

 

A formação integra conhecimentos de Medicina do Sono e de Ciências do Sono, com o objetivo de colmatar a lacuna formativa nesta área e preparar profissionais capazes de atuar em diferentes contextos clínicos, laboratórios de sono e centros especializados, tanto em Portugal como no estrangeiro.

“Diversos aspetos do sono – como a duração, o tempo e a qualidade – influenciam a saúde física, o bem-estar mental, o desempenho e até a segurança da criança. Queremos ser pioneiros em Portugal, liderando o caminho nesta área de extrema importância e com grande impacto na qualidade da saúde infantil, contribuindo para uma formação médica diferenciada”, afirma Amélia Feliciano, docente da Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa e uma das coordenadoras do novo Curso Avançado, citada em comunicado.

Destinado a profissionais que atuam ou pretendem saber mais desta área, incluindo médicos, dentistas, técnicos, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos, cientistas do sono e terapeutas, a formação combina a componente teórica com a prática, realizada em centros de sono, onde os participantes terão contacto direto com exames de avaliação do sono e treino em análise e interpretação clínica.

“Nos últimos anos, o interesse pelo sono em idade pediátrica cresceu de forma significativa, com cada vez mais consultas de Pediatria a integrarem esta dimensão na avaliação da criança. Paralelamente, os programas de Medicina do Sono têm vindo a dedicar espaço ao sono pediátrico, tornando necessária uma formação que reúna especialistas diferenciados nesta área”, explica Susana Falardo Ramos, docente da Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa e também coordenadora do curso.

A Medicina do Sono ainda não é reconhecida como uma especialidade médica autónoma em vários países europeus, incluindo Portugal. Na prática, as perturbações do sono são abordadas por especialistas de diferentes áreas, o que, para a Faculdade, torna mais urgente a formação de profissionais com competências específicas neste campo.

Mais informações em: https://fm.ucp.pt/pt-pt/catolica-health-education-formacao-avancada/curso-avancado-em-medicina-do-sono-pediatrico

Mensagem de Natal – ATEHP

 

Nesta época especial, a ATEHP deseja a todos os seus associados, parceiros e profissionais da área da engenharia hospitalar e das tecnologias da saúde um Santo e Feliz Natal, repleto de paz, saúde e esperança.

Que esta quadra natalícia seja um momento de renovação, união e reflexão, reforçando o compromisso com a excelência e a inovação, valores que continuam a orientar a missão da ATEHP.

A todos, os nossos votos de um Novo Ano cheio de sucessos, projetos concretizados e contínua valorização do conhecimento ao serviço da saúde.

Boas Festas!

ATEHP junto dos seus associados – ULS do Baixo Mondego

A ATEHP realizou recentemente uma visita à Unidade Local de Saúde (ULS) do Baixo Mondego, numa iniciativa desenvolvida em colaboração com o Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC).
A deslocação permitiu um contacto direto com a realidade da ULS do Baixo Mondego, proporcionado um momento de diálogo construtivo sobre desafios atuais, oportunidades de desenvolvimento e potenciais projetos conjuntos que contribuam para a melhoria dos serviços de saúde.
A ATEHP agradece à ULS do Baixo Mondego a disponibilidade e a forma acolhedora como recebeu esta iniciativa, bem como ao ISEC pela parceria e colaboração, reforçando o compromisso conjunto com a valorização do conhecimento técnico e cientifico ao serviço da saúde.

 

ULS Braga recorre a sistema robótico para cirurgia ao joelho

A Unidade Local de Saúde de Braga realizou a sua primeira artroplastia total do joelho e duas artroplastias unicompartimentais com recurso ao sistema robótico CORI

De acordo com um comunicado da unidade de saúde, esta plataforma robótica permite uma abordagem altamente precisa, favorece o equilíbrio protésico e potencia percursos de recuperação mais eficazes, alinhando a atividade assistencial com padrões internacionais de excelência, segurança e inovação.

Nuno Tavares, Médico Ortopedista responsável pela Unidade do Joelho do Serviço de Ortopedia da ULS Braga, afirma que a cirurgia robótica representa um avanço significativo na personalização do tratamento. Citado em comunicado, o especialista explica que este tipo de abordagem permite um posicionamento mais rigoroso dos componentes e um cálculo exato das suas dimensões, tornando possível “uma prótese mais adaptada ao doente que temos em mãos”.

Nuno Tavares sublinha ainda que o sistema robótico acrescenta uma camada adicional de segurança ao ato cirúrgico, ao impedir a execução de cortes ou perfurações fora das áreas previamente definidas, “o que reduz a margem de erro e torna o procedimento substancialmente mais seguro”.

O Médico Ortopedista destaca também a relevância desta tecnologia na obtenção de resultados mais consistentes e reprodutivos, independentemente do grau de experiência individual do cirurgião. Na sua perspetiva, a cirurgia robótica contribui para minimizar a dependência da intuição e da variabilidade técnica, promovendo maior previsibilidade clínica.

“O futuro passa inevitavelmente por aqui”, afirma ainda Nuno Tavares, acrescentando que a adoção desta tecnologia abre portas a novos procedimentos, técnicas e aplicações cirúrgicas. “Temos de acompanhar a evolução tecnológica e incorporá-la na nossa prática, para continuarmos a oferecer aos nossos doentes o melhor que existe a nível mundial”, reforça.

A equipa cirúrgica integrou três médicos ortopedistas, dois enfermeiros e um instrumentista, refletindo uma abordagem multidisciplinar altamente especializada.

Estudante da UC desenvolve modelo de IA para descoberta e otimização de fármacos

Yanan Tian, aluna do Programa de Doutoramento Conjunto entre a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e a Macao Polytechnic University (MPU), desenvolveu um modelo de inteligência artificial (IA) que visa a descoberta e otimização de fármacos

 

Esta investigação, publicada na revista Nature Communications, foi realizada sob a orientação dos professores Joel P. Arrais, do Departamento de Engenharia Informática da FCTUC, e Huanxiang Liu, da MPU, no âmbito do programa Dual Doctoral Degree MPU-UC, que visa promover a cooperação científica e a formação avançada entre Portugal e Macau.

As proteínas quinases constituem uma das classes de alvos terapêuticos mais relevantes na investigação biomédica. O seu potencial resulta do papel central que desempenham na regulação de múltiplos processos celulares, incluindo proliferação, diferenciação e morte celular. No entanto, o desenvolvimento de inibidores altamente seletivos continua a ser um desafio, devido à forte conservação estrutural entre as quinases e ao elevado custo dos ensaios experimentais.

“Este trabalho propõe o modelo MMCLKin, uma estrutura baseada em métodos de IA avançada, concebida para prever com elevada precisão e interpretabilidade a atividade e seletividade de inibidores de quinases, acelerando significativamente o processo de descoberta e otimização de novos fármacos direcionados”, explica Yanan Tian, citada em comunicado da universidade.

O MMCLKin combina redes de grafos geométricos, modelos de linguagem para sequências proteicas e mecanismos de atenção multicanal para identificar as características críticas das interações entre quinases e fármacos. “Os resultados demonstram que o modelo supera os métodos existentes na previsão da afinidade e seletividade de inibidores, mesmo em casos que envolvem estruturas desconhecidas ou quinases mutadas”, afirma Joel P. Arrais.

De acordo com os autores do estudo, os ensaios biológicos ADP-Glo validaram o poder preditivo do modelo, demonstrando que cinco compostos sugeridos pelo MMCLKin inibem de forma eficaz a mutação LRRK2 G2019S, associada a doenças neurodegenerativas, sendo quatro deles ativos em concentrações nanomolares. Estes resultados reforçam o potencial do MMCLKin como ferramenta para acelerar o desenvolvimento de terapias direcionadas, abrindo novas perspetivas para o desenho racional de fármacos com maior seletividade e eficácia clínica.

“A abordagem proposta representa um avanço na aplicação da Inteligência Artificial à descoberta de fármacos, demonstrando como modelos computacionais de nova geração podem reproduzir in silico processos biológicos complexos que, de forma experimental, podem demorar anos ou mesmo décadas. O MMCLKin exemplifica como modelos baseados em IA conseguem simular e compreender interações moleculares com um grau de detalhe que permite prever a atividade e a seletividade de inibidores com elevada precisão”, sublinham os investigadores.

Esta capacidade permite a identificação rápida de candidatos terapêuticos promissores, reduzindo significativamente o tempo e o custo da investigação farmacêutica. Para além do seu impacto imediato, o MMCLKin abre novas direções de investigação no campo da modelação de quinases, ao proporcionar um quadro unificado para analisar padrões estruturais, mutacionais e funcionais ao longo de toda a família de quinases humanas.

“Este tipo de abordagem pode evoluir para modelos generalistas capazes de antecipar o comportamento de novas quinases — incluindo aquelas ainda sem estrutura identificada — e apoiar o desenho racional de terapias seletivas e personalizadas em diversas áreas, desde o cancro às doenças neurodegenerativas”, concluem os académicos.

O artigo científico “Enhancing Kinase-Inhibitor Activity and Selectivity Prediction Through Contrastive Learning” está disponível para consulta aqui.

Parceria entre GS1 e Google Lens vai facilitar leitura de códigos de medicamentos

A GS1, organização global responsável pelo Sistema de Standards, anunciou uma nova colaboração com a Google. Esta parceria vai permitir que os códigos GS1 Data Matrix – já presentes em milhões de embalagens de medicamentos – sejam lidos e reconhecidos pelo Google Lens, a ferramenta de pesquisa visual da tecnológica

Com esta funcionalidade, doentes, cuidadores e profissionais de saúde vão poder usar os seus smartphones para ler os códigos e aceder instantaneamente a informação fidedigna sobre o produto, como os folhetos informativos eletrónicos (ePILs).

A funcionalidade já está disponível no Google Lens e a amplitude da informação acessível dependerá apenas da adesão dos fabricantes. A GS1 está a colaborar ativamente com várias empresas em todo o mundo para implementar esta funcionalidade, incentivando todos os fabricantes da indústria farmacêutica e de dispositivos médicos a disponibilizarem online a informação dos seus produtos. O objetivo é que todos os doentes, em qualquer lugar, possam beneficiar desta inovação.

O código GS1 Data Matrix contém detalhes como o número de lote, a data de validade e identificadores únicos — informação-chave exigida pela regulamentação em mais de 70 países. Atualmente, mais de 16 mil milhões de embalagens de medicamentos nos EUA e na União Europeia já apresentam estes códigos.

FOTO BRETT JORDAN/ UNSPLASH