ULS Braga implementa projeto para doentes com dificuldade de comunicação verbal

‘Comunicar sem Voz’ é uma iniciativa que visa humanizar os cuidados prestados aos doentes com dificuldades de comunicação, nomeadamente aqueles submetidos a laringectomia ou traqueostomia, permitindo-lhes recuperar o direito de se fazerem ouvir

O serviço de Otorrinolaringologia (ORL) da ULS Braga evidencia diariamente os desafios vividos por doentes que, por motivos clínicos, perdem temporária ou permanentemente a capacidade de comunicar verbalmente.

Entre os casos mais frequentes encontram-se os doentes com tumores malignos da laringe, cujo tratamento implica, em muitos casos, a realização de uma laringectomia – cirurgia que remove a laringe e, com ela, as cordas vocais, inviabilizando a emissão de som pela via aérea natural. Também emergências, como traqueostomias por obstrução tumoral ou hemorragia, resultam numa perda abrupta da fala.

“Estes doentes enfrentam, no pós-operatório, uma realidade marcada por sentimentos de medo, angústia e frustração. A impossibilidade de expressar necessidades, emoções ou dores intensifica o sofrimento físico e emocional, dificultando ainda a prestação de cuidados de saúde adequados”, explica Sofia Osório, Enfermeira Gestora do Serviço de Otorrinolaringologia da ULS Braga, citada em comunicado da unidade de saúde.

Reconhecendo esta vulnerabilidade, a equipa de enfermagem do serviço procurou soluções que ultrapassassem os métodos tradicionais – como papel e caneta – frequentemente ineficazes face à debilidade física e emocional destes doentes. Foi neste contexto que nasceu o projeto ‘Comunicar sem Voz’, com a adoção da aplicação MagicContact, uma ferramenta de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA), gratuita, desenvolvida pela Fundação Altice, em parceria com a Associação do Porto de Paralisia Cerebral (APPC) e o aTOPLab do Politécnico de Leiria.

A aplicação está já a ser utilizada no serviço de ORL da ULS Braga, permitindo aos doentes comunicar de forma simples, intuitiva e eficaz com os profissionais de saúde, com recurso a tablets, atenuando, assim, os níveis de ansiedade e promovendo uma maior autonomia e conforto. Esta solução tecnológica não substitui a voz, mas devolve ao doente algo essencial: a capacidade de participar ativamente nos seus cuidados, de manifestar necessidades básicas e de se sentir compreendido.

Atualizada norma relativa à nutrição entérica e parentérica

A Direção Geral da Saúde atualizou a norma n.º 017/2020, de 25 de setembro, relativa à Implementação da Nutrição Entérica e Parentérica em Ambulatório e no Domicílio, aplicável tanto à população pediátrica como adulta

A atualização, de 13 de novembro, alarga os critérios de identificação do risco nutricional, que incluem todos os doentes oncológicos em regime de ambulatório, e todos os utentes internados por um período superior a 24h, independentemente do diagnóstico clínico, nas primeiras 48 horas de internamento. Nos cuidados primários, incluem-se todos os utentes adultos com probabilidade aumentada de deterioração do estado nutricional. Já nos cuidados continuados integrados, incluem-se todos os utentes internados nas primeiras 48 horas.

Também se definem os dispositivos médicos necessários para a administração deste tipo de nutrição.

A identificação do risco nutricional deve ser realizada pela equipa assistencial multidisciplinar, com recurso aos instrumentos constantes no Anexo I, Nutritional Risk Screening 2002 (NRS 2002) 2-4 e Malnutrition Screen Tool (Adultos) e STRONGkids (Crianças).

A identificação do risco nutricional deve ser realizada pela equipa assistencial multidisciplinar, em articulação com o Serviço/Unidade de Nutrição, de acordo com as orientações definidas por cada unidade de saúde, e o diagnóstico de desnutrição deve ser realizado através do Sistema de Classificação Internacional de Doenças de vigor.

A norma pode ser consultada aqui.

FOTO ASAD_SUMBUL/ PIXABAY

Portugal inicia partilha de dados de Saúde com Chipre

No âmbito da infraestrutura A Minha Saúde @ UE (MyHealth@EU), Portugal iniciou a partilha de dados de saúde com Chipre, fez saber a SPMS

Os cidadãos portugueses já podem partilhar, desde finais de outubro, o seu Resumo de Saúde Eletrónico com profissionais de saúde do Chipre. Além disso, as receitas emitidas em Portugal podem ser dispensadas em farmácias cipriotas, reforçando a continuidade dos cuidados prestados fora do país de origem.

Esta conquista resulta de um trabalho conjunto de várias equipas da SPMS, designadamente do Núcleo de Saúde Digital Global e Relações Internacionais, da Direção de Arquitetura, Negócio e Análise de Dados, do Centro de Controlo e Monitorização do SNS e da Direção de Sistemas dos Cuidados de Saúde.

A Minha Saúde @ UE tem como missão facilitar o acesso e a troca segura de informações clínicas entre profissionais de saúde europeus, contribuindo para uma resposta mais rápida, segura e eficaz a quem necessita de cuidados noutro país. Atualmente, esta rede abrange 16 Estados-Membros, promovendo a redução de erros médicos e a melhoria da qualidade dos serviços de saúde transfronteiriços.

Portugal participa na infraestrutura como país de afiliação (País A) e de tratamento (País B), permitindo a partilha do Resumo de Saúde eletrónico e a integração dos serviços de prescrição e dispensa eletrónica.

O país de afiliação é onde o cidadão tem o registo de saúde cujos dados serão partilhados. Por seu turno, o país de tratamento é onde o cidadão recebe cuidados de saúde e os dados são consultados ou utilizados.

É o 14º país com quem Portugal passa a partilhar dados de Saúde, juntando-se a Malta, Croácia, Luxemburgo, França, Estónia, Finlândia, Países Baixos, Espanha, República Checa, Polónia, Letónia, Lituânia e Irlanda.

 

FOTO TEROVESALAINEN/ ADOBE STOCK

Projeto recebe 10 milhões de euros para estudar como as células moldam o seu ambiente

O projeto RODIN (Cell-mediated Sculptable Living Platforms), onde participam a Universidade de Aveiro e a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa), acaba de conquistar uma Synergy Grant do Conselho Europeu de Investigação (ERC), no valor de 10 milhões de euros. É o maior financiamento alguma vez atribuído a Portugal no âmbito deste programa europeu

O consórcio internacional, liderado pelos investigadores João Mano (Laboratório Associado CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro, Universidade de Aveiro), Nuno Araújo (Ciências ULisboa) e Tom Ellis (Imperial College London), vai desenvolver materiais dinâmicos e flexíveis que as próprias células poderão moldar, estudando como estas interagem com o seu ambiente e constroem estruturas complexas semelhantes aos tecidos humanos.

O projeto RODIN reúne três equipas de referência europeia com competências complementares. Os investigadores da Universidade de Aveiro vão desenvolver microfilmes e estudar o efeito das células sobre as suas alterações geométricas. O grupo do Imperial College London irá programar microrganismos para libertar sinais bioquímicos em momentos precisos, dotando a estas plataformas um carácter “vivo”. A equipa de Ciências ULisboa será responsável pela modelação teórica e computacional, aplicando inteligência artificial para decifrar as interações entre células e materiais.

Esta combinação irá permitir a criação de plataformas experimentais para estudar como as células remodelam o seu ambiente, produzindo dados tridimensionais e temporais de alta resolução, que trarão informação para o desenvolvimento de novos biomateriais.

Os resultados esperados do projeto RODIN poderão ajudar a abrir caminho a materiais inteligentes capazes de promover a regeneração de tecidos e modelar doenças humanas em laboratório, reduzindo, por exemplo, a necessidade de testes em animais.

O nome do projeto inspira-se no escultor Auguste Rodin, considerado o pioneiro da escultura moderna, e mestre em captar o realismo e a vitalidade da forma humana.

FOTO: NATIONAL CANCER INSTITUTE/ UNSPLASH

Rede europeia lança proposta para reduzir desigualdades no acesso a cuidados oncológicos

Para promover a igualdade no tratamento de doença oncológica entre os cidadãos europeus, foi lançada em outubro de 2024 a Rede Europeia de Centros Compreensivos de Cancro (EUnetCCC), no âmbito do Programa EU4Health, que lança agora o seu White Paper, documento que estabelece como tornar o acesso a cuidados oncológicos mais equitativa para todos

A Rede Europeia de Centros Compreensivos de Cancro (EUnetCCC) divulgou a 7 de novembro o White Paper: Libertar o Potencial da Futura Rede de Centros Compreensivos de Cancro, na primeira Reunião Anual da EUnetCCC, em Paris, um documento histórico que apresenta uma visão concreta de como a Europa pode ofercer cuidados oncológicos equitativos e de alta qualidade para todos os seus cidadãos, independentemente da sua localização geográfica.

O cancro é a segunda principal causa de morte na Europa, responsável pela morte de 1,3 milhões de pessoas por ano e afetando 2,7 milhões de pessoas. O relatório apresenta um conjunto de recomendações que se traduz num cenário alarmante: se não forem tomadas medidas ousadas e coordenadas, as desigualdades entre países e regiões no que toca a prevenção, diagnóstico, tratamento e acesso a um sistema capaz de satisfazer as ambições europeias continuarão a aumentar.

O White Paper salienta que a atual Ação Conjunta da EUnetCCC terminará em 2028 e que o seu sucesso depende da transformação da rede numa infraestrutura europeia permanente e bem consolidada. O relatório adverte que, sem uma ação política decisiva, a Europa corre o risco de perder a mobilização sem precedentes alcançada até agora.

Para garantir o futuro da Rede, o White Paper estabelece as principais prioridades em matéria de políticas e investimentos:

  • Reconhecer a rede CCC da EU como uma prioridade estratégica e instrumento fundamental para implementar o Plano Europeu de Luta Contra o Cancro, a Missão Contra o Cancro, e criar efetivamente um Sistema de Saúde Europeu.

  • Posicionar a rede como uma plataforma unificadora e estruturada para implementar e ampliar as iniciativas da UE em matéria de cancro, para melhorar a competitividade da UE no setor da saúde e da inovação;

  • Assegurar uma base institucional e jurídica clara para a rede no âmbito da UE, a fim de garantir a sua sustentabilidade e elegibilidade para o apoio a longo prazo.

  • Estabelecer um mecanismo de governação de alto-nível, envolvendo a Comissão Europeia, os Estados-Membros e as principais partes interessadas para supervisionar a orientação estratégica e a coordenação da rede.

  • Assegurar um financiamento específico e a longo prazo da UE no futuro Fundo de Competitividade para apoiar a coordenação, manutenção e desenvolvimento da rede.

  • Estabelecer regimes de subvenções específicas da UE para apoiar o desenvolvimento de certificação e o reforço das capacidades dos CCC em desenvolvimento ou transição.

  • Garantir financiamento específico para o envolvimento dos doentes e Associações de Doentes a nível da rede e dos centros (incluindo remuneração, custos de participação, reforço das capacidades, ect.)

 O White Paper está disponível em: https://eunetccc.eu/files/pressKit/2025/November/eunetccc-white-paper.pdf

Estratégias antivirais para bloquear o vírus da gripe antes da infeção

Uma equipa de investigadores do Centro de Investigação Biomédica (CBR) da Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa está a estudar uma estratégia antiviral capaz de bloquear a replicação do vírus da gripe antes de este infetar as células

 

“Se a metodologia que estamos a desenvolver funcionar para o vírus da gripe, é possível que funcione também para outros vírus”, afirma Maria João Amorim, investigadora e vice-diretora do Centro de Investigação Biomédica, citada em comunicado da universidade.

A equipa liderada por Maria João Amorim descobriu que o vírus que causa a gripe A – influenza A (VIA ou IAV) – utiliza compartimentos celulares específicos, designados inclusões virais, para montar o seu genoma composto por oito segmentos de ácido ribonucleico (ARN) por um processo seletivo, envolvendo interações inter-segmento RNA-RNA, e de elevadíssima complexidade que, até à data, não é inteiramente claro.

O grupo deu um passo em frente a desvendar este processo ao descobrir que estes compartimentos têm propriedades semelhantes às dos líquidos. Tais propriedades permitem que as moléculas se movam livremente e, desta forma, cada parte do genoma pode encontrar os seus outros sete interatores – um processo essencial para que o vírus se torne infecioso. A partir desta descoberta, os investigadores identificaram que dissolver ou endurecer estes condensados pode impedir a replicação viral.

“Os antivirais que venham a ser desenvolvidos poderão proteger pessoas não vacinadas, reduzir a gravidade da doença em infetados e controlar a propagação de vírus respiratórios e emergentes, reforçando a resposta da saúde pública perante futuros surtos,” explica a também docente da Faculdade de Medicina da Universidade Católica.

Numa altura  em que decorre a vacinação contra a gripe – Portugal foi o terceiro país da União Europeia com a maior cobertura de vacinação contra a gripe no último inverno, atingindo uma taxa de 71 %, segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) – os antivirais podem representar uma segunda linha de defesa indispensável: protegem quem não está vacinado, reduzem a gravidade da infeção em pessoas que desenvolvem doença grave e ajudam a controlar a propagação de vírus que evoluem rapidamente ou que escapam à imunidade conferida pela vacinação.

“As vacinas continuam a ser a principal medida de prevenção, mas nem toda a população está imunizada e os vírus respiratórios evoluem rapidamente. Estas abordagens inovadoras procuram ultrapassar as limitações dos antivirais atuais – como a resistência e o espectro de ação reduzido – com o objetivo de identificar novos alvos virais que permitam desenvolver terapias eficazes contra vários vírus respiratórios, reforça Maria João Amorim.

A investigadora do CBR salienta também que “existem diversas doenças infeciosas para as quais ainda não há vacinas disponíveis, sendo o tratamento feito com antivirais, como no caso do VIH, Zika, Herpes simplex e vírus hemorrágicos como Nipah, Marburg ou Lassa.” Nestes casos, antivirais eficientes são essenciais para o tratamento e descobri-los é uma prioridade.

 

“Mini-proteínas” que impedem a entrada do SARS-CoV-2

No âmbito dos projetos de investigação BioPlaTTAR e EvaMOBS, a mesma equipa do CBR da Faculdade de Medicina da Universidade Católica, desta vez num consórcio que junta várias equipas Portuguesas do Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier da Universidade Nova de Lisboa (onde se encontra o coordenador dos projetos Cláudio Soares) e do Gulbenkian Instituto de Medicina Molecular e 8 equipas internacionais de 7 países Europeus, está a desenvolver plataformas versáteis para desenhar moléculas antivirais inspiradas em anticorpos, que bloqueiam a entrada dos vírus nas células. Alguns dos testes iniciais incluem o vírus da gripe A, o SARS-CoV-2, o vírus da dengue, o vírus sincicial respiratório e o vírus Zika.

Os primeiros resultados mostram avanços promissores: no projeto BioPlaTTAR os investigadores já conseguiram desenhar mini-proteínas que impedem a entrada do SARS-CoV-2 nas células. Como próximo passo, Maria João Amorim partilha: “E essencial perceber quais as melhores formas de produzir estas mini-proteínas e qual a toxicidade associada ao seu uso num modelo animal, antes de poder avançar com a realização de ensaios clínicos”.

 

Dão-Lafões adquire robô para cirurgias minimamente invasivas

A Unidade Local de Saúde (ULS) de Viseu Dão-Lafões adquiriu o seu primeiro robô cirúrgico, num investimento de cerca de 1,9 milhões de euros, integralmente financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), fez saber o portal do SNS

O novo equipamento, instalado no Hospital de São Teotónio, foi concebido para realizar cirurgias minimamente invasivas nas áreas de Cirurgia Geral, Ginecologia e Urologia. Trata-se do sistema HUGO™ RAS, uma plataforma modular multi-quadrante concebida para uma vasta gama de procedimentos cirúrgicos e combina instrumentos articulados, visualização 3D e ainda uma opção de gravação de vídeo cirúrgico.

A introdução desta tecnologia permitirá reduzir o tempo de internamento e de recuperação dos doentes, diminuir o risco de complicações e infeções e proporcionar um regresso mais rápido à rotina diária, com melhor qualidade de vida.

O contrato de aquisição inclui ainda um programa de formação especializada para as equipas cirúrgicas (médica e de enfermagem), procurando garantir a capacitação completa das equipas e a utilização progressiva desta tecnologia nas diferentes especialidades.

Inteligência Artificial na Saúde debate-se a 26 de novembro

A APDSI organiza a Conferência “Desafios da IA na Saúde”, no dia 26 de novembro, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa

Os objetivos do evento passam por mobilizar os profissionais de saúde para os desafios e oportunidades da Inteligência Artificial, apresentar casos de uso concretos em Portugal, promover a colaboração entre instituições de saúde, empresas tecnológicas e academia e criar um espaço de reflexão sobre os desafios associados ao uso da IA no ecossistema alargado da saúde.

As inscrições podem ser feitas AQUI

Estudo ajuda a perceber como microrganismos se agarram ao muco

Uma equipa de investigadores da Unidade de Investigação em Ciências Biomoleculares Aplicadas (UCIBIO) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa | NOVA FCT participou na descoberta de um novo mecanismo que explica como certos microrganismos conseguem aderir ao muco – a substância viscosa que protege as superfícies internas do corpo humano, como o intestino, os pulmões ou o trato reprodutor

O estudo, publicado na revista científica Nature Communications (Grupo Nature), revela que uma pequena proteína da bactéria Escherichia coli enterohemorrágica, denominada X409, atua como um “gancho molecular” altamente especializado, que reconhece agrupamentos específicos de açúcares, “aglomerados de açúcares”, presentes no muco. É a primeira vez que se demonstra, com base em dados estruturais, este tipo de reconhecimento como estratégia de adesão microbiana.

Compreender o funcionamento deste “gancho molecular” pode abrir caminho ao desenvolvimento de terapias antimicrobianas capazes de impedir que bactérias patogénicas se fixem ao muco, prevenindo infeções, bem como à criação de probióticos mais eficazes ou à melhoria da entrega seletiva de medicamentos.

“Para desvendar este mecanismo, a nossa equipa combinou várias técnicas de ponta em biologia estrutural, incluindo ressonância magnética nuclear (NMR), cristalografia de raios X e simulações de dinâmica molecular. Tivemos um papel central na caracterização da interação entre a proteína X409 e os açúcares das mucinas”, explica Filipa Marcelo, líder da equipa da UCIBIO, citada em comunicado da Nova.

O muco é uma barreira essencial de proteção do organismo, composta por mucinas densamente decoradas com cadeias de açúcares (glicanos). Estas estruturas não só defendem os tecidos contra agentes patogénicos, como também alimentam e regulam a microbiota – o conjunto de microrganismos benéficos que vivem connosco em simbiose. Entender como os micróbios se ligam às mucinas é fundamental para perceber como as bactérias benéficas colonizam o corpo humano e como patogénicos podem explorar o muco para invadir tecidos.

O trabalho contou com a participação da doutoranda Cátia O. Soares, da investigadora pós-doutorada Ana Sofia Grosso, e com os contributos das investigadoras Helena Coelho e Filipa Grosso, e do investigador Jorge S. Dias. As experiências de NMR e parte das simulações de dinâmica molecular foram realizadas nas instalações da UCIBIO.

O estudo resultou de uma colaboração entre o Copenhagen Center for Glycomics (Universidade de Copenhaga, Dinamarca), o BIFI (Universidade de Saragoça, Espanha), o IQUR (Universidade de La Rioja, Espanha) e a UCIBIO – NOVA FCT, uma das três unidades de investigação do Laboratório Associado Instituto para a Saúde e Bioeconomia (i4HB), em Portugal.

O artigo completo encontra-se disponível em acesso aberto na Nature Communications:

DOI: https://doi.org/10.1038/s41467-025-63756-w

Dão-Lafões inaugura Unidade de Insuficiência Cardíaca

A Unidade Local de Saúde de Viseu Dão-Lafões (ULSVDL) inaugurou, no dia 8 de outubro, a sua nova Unidade de Insuficiência Cardíaca (UICA)

 

Coordenada pelo Serviço de Cardiologia, em parceria com o Serviço de Medicina Interna, a UICA é composta por dois cardiologistas, um internista e uma equipa de enfermagem dedicada, garantindo um acompanhamento próximo e contínuo dos doentes.

De acordo com a ULSVDL, este novo modelo de organização promove uma maior autonomia dos utentes, um contacto direto e regular com a equipa clínica e uma melhor adesão à terapêutica, contribuindo para a redução de internamentos e para a melhoria da qualidade de vida.

A insuficiência cardíaca é uma doença associada a elevado risco de internamento e mortalidade, sendo a principal causa de hospitalização em pessoas com mais de 65 anos. Os episódios de descompensação, que implicam agravamento dos sintomas e necessidade de recurso às urgências, têm um impacto negativo na qualidade de vida dos doentes e na capacidade de resposta dos serviços de urgência.