Direção executiva do SNS vai criar mais quatro ULS

A Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS) está a elaborar os planos de negócio para quatro novas Unidades Locais de Saúde (ULS), passando o SNS a dispor de 12 unidades, o equivalente a um aumento de 50 por cento.

A Direção Executiva do SNS adiantou à agência Lusa que iniciou os trabalhos para a elaboração dos planos de negócio para quatro novas ULS: Guimarães, Aveiro, Entre o Douro e Vouga, e Leiria.

Com estas quatro novas unidades, o SNS, que dispõe atualmente de oito ULS – Matosinhos (criada em 1999), Norte Alentejano (2007), Guarda (2008), Baixo Alentejo (2008), Alto Minho (2008), Castelo Branco (2010), Nordeste (2011) e Litoral Alentejano (2012) – passará a dispor de 12.

“Dez anos depois da criação da última ULS, assiste-se agora a uma pequena revolução neste processo”, destacou a direção executiva do SNS, lembrando que “atualmente, as Unidades Locais de Saúde prestam cuidados a uma população superior a um milhão de habitantes”.

O diretor-executivo do SNS, Fernando Araújo, salientou que este aumento de 50 por cento de ULS no país “representa uma dimensão profunda na construção de instrumentos de planeamento e organização do SNS, com relevantes ganhos em saúde, através da otimização e integração de cuidados, da proximidade assistencial, da autonomia de gestão, do reforço dos cuidados de saúde primários, sempre com o foco nos utentes”.

Esta abordagem vai “definir a reorganização” das instituições do SNS, que passam a assumir a resposta assistencial ao nível dos cuidados de saúde primários e cuidados hospitalares de forma integrada.

O plano de negócio das quatro novas ULS vai incluir a análise dos impactos clínicos e financeiros desta forma de organização, assegurando “os ganhos em saúde gerados pela integração de cuidados, pela proximidade das decisões, pelo incremento da autonomia das novas instituições, promovendo os cuidados de saúde primários como a base do sistema, fornecendo os meios e os recursos necessários para a sua missão”.

A Direção Executiva do SNS adiantou também que iniciou a elaboração do plano de negócios para integrar no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra o Hospital Arcebispo João Crisóstomo – Cantanhede e o Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro – Rovisco Pais, “visando aumentar o acesso e a eficiência”.

Os processos, que têm por objetivo a proximidade e integração de cuidados, bem como a autonomia das organizações, deverão estar terminados no primeiro semestre do próximo ano.

ULS da Guarda adquire sistema de apoio à investigação científica

A Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda adquiriu um dispositivo de Edge Computing, que permitirá à instituição dar os primeiros passos para a condução de investigação científica com os registos clínicos, de forma segura e sem partilha de dados.

Este dispositivo, denominado AWS Snowball Edge, foi utilizado pela primeira vez por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e da ULS de Matosinhos para o desenvolvimento dos primeiros estudos de representatividade populacional feitos em Portugal, e dos quais têm resultado diversas publicações científicas que caracterizam a prevalência, incidência, outcomes e custos com a saúde das populações servidas pelas instituições.

Na ULS da Guarda, este tipo de abordagem inovadora vai permitir a caracterização rigorosa das necessidades de saúde das populações da sua área de influência e contribuirá para a capacitação dos seus profissionais e sua integração na rede de investigação clínica internacional EHDEN (European Health Data and Evidence Network), fomentando a produção científica de alto impacto e contribuindo, com base na sua própria evidência, para a tomada de decisão.

CHS investe em novo sistema de comunicação com utentes

No âmbito de um projeto de modernização, o Centro Hospitalar de Setúbal (CHS) implementou um sistema de melhoria de comunicação com os utentes, através do serviço de mensagens escritas (SMS), no âmbito da Consulta Externa I e II.

Esta solução permite o contacto com os utentes por SMS, informa automaticamente sobre a marcação e desmarcação de consulta, com 72 horas de antecedência.

Com o objetivo de monitorizar e gerir as consultas de uma forma mais eficiente, este projeto visa melhorar a comunicação e a redução do número de faltas a consultas e possibilita uma melhor gestão ao nível da remarcação de consultas, uma vez que proporciona o reaproveitamento de tempos de consulta.

Novo centro de terapia genética em Oftalmologia no CHULC

O Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC) constituiu um novo Centro Nacional de Terapia Génica em Oftalmologia (CNTGO), posicionando-se, assim, na primeira linha do panorama internacional e contribuindo para a mudança da qualidade de vida dos doentes afetados com distrofias retinianas de aparecimento precoce associadas a mutações no gene RPE6 que evoluem para cegueira.

O Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central constituiu um novo Centro Nacional de Terapia Génica em Oftalmologia, contribuindo para a mudança da qualidade de vida dos doentes afetados com distrofias retinianas de aparecimento precoce associadas a mutações no gene RPE6 que evoluem para cegueira.

No âmbito do CNTGO, foi realizada, no dia 29 de novembro, pela primeira vez, uma intervenção com medicamento órfão, que, graças a um mecanismo de transferência de genes para a retina, visa travar a evolução desta doença.

Durante a fase de ensaios clínicos, o tratamento demonstrou melhorar a visão, o campo visual e a capacidade de deambulação dos doentes, nomeadamente em condições de pouca iluminação, determinando uma melhoria significativa na sua qualidade de vida.

“Trata-se de um importante benefício clínico, tendo em conta a ausência terapêutica para esta doença progressiva ou degenerativa”, lê-se em comunicado divulgado.

O procedimento, em administração única para cada olho, é realizado em ambiente cirúrgico. A doença está classificada como rara, o que significa que o número de doentes afetados e com potencial de tratamento é limitado.

Farmácia de Ambulatório Central do CHULC entra em funcionamento

A Farmácia de Ambulatório Central do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC), que concentra as atividades inerentes à dispensa presencial de medicamentos hospitalares aos utentes de todo o centro hospitalar, entrou em funcionamento, no Hospital de Curry Cabral, na primeira semana de novembro.

Na sequência da abertura deste novo espaço, encerraram, no dia 4 de novembro, os atuais ambulatórios farmacêuticos dispersos pelos vários hospitais, à exceção da farmácia de ambulatório do Hospital de Dona Estefânia, que continuará em funcionamento até ao final deste ano.

“Desta forma, pretende-se melhorar o serviço farmacêutico prestado ao doente, num espaço novo e com um sistema de agendamento que permitirá diminuir os tempos de espera para atendimento”, referiu o centro hospitalar em comunicado.

De acordo com o CHULC, com a entrada em funcionamento desta unidade técnica pretende-se ainda melhorar as condições de trabalho e a segurança dos profissionais de saúde envolvidos e melhorar a qualidade e eficiência dos atos farmacêuticos associados aos medicamentos de dispensa hospitalar.

Além deste serviço, mantém-se disponível o Programa de Dispensa em Proximidade, do qual beneficiam, atualmente, cerca de dez mil utentes.

1º HIA International Summit – “New Healthcare Challenges in Azores”

Decorreu nos dias 21 e 22 de outubro, o 1º HIA International Summit, sob o título, “New Healthcare Challenges in Azores”, organizado pelo Hospital Internacional dos Açores e que juntou um vasto conjunto de cidadãos, incluindo profissionais de saúde e organizações.

O Hospital Internacional dos Açores (HIA), em Lagoa, São Miguel, nos terrenos contíguos ao Nonagon – Parque de Ciência e Tecnologia, foi inaugurado em março de 2021, sendo o primeiro Hospital privado na Região, que irá cobrir as necessidades de pacientes locais, mas também internacionais, colocando os Açores como um destino de referência na esfera do Turismo Médico.

Todos os equipamentos do HIA são de tecnologia de ponta, recorrendo às versões topo de gama dos diversos fornecedores, com destaques, entre outros, para as áreas como a Imagiologia e o Bloco Operatório nas suas mais diversas vertentes, bem como, a área da Cirurgia Cardíaca, Urologia, Oftalmologia e Cardiologia.

Durante os dois dias da Cimeira, foram promovidos diversos debates sobre temas e técnicas relevantes para o setor da saúde e o bem-estar da comunidade, com a presença de especialistas nacionais e internacionais, como o Prof. Craig de Mello (Prémio Nobel de Medicina e Fisiologia em 2006).

Simpósios cirúrgicos tais como TAVI, Cirurgia Cardíaca e Cardiotorácica foram demonstrativos das novas áreas de diagnóstico, intervenção e cirurgia que o HIA disponibiliza para melhoria da saúde nos Açores.

Paralelamente ao 1st HIA International Summit, tivemos também um simpósio satélite, sobre concepção, projecto e execução, orientado para a área de Engenharia e equipamentos hospitalares, destinado a Engenheiros responsáveis pela manutenção, Gestores das áreas técnicas hospitalares, responsáveis por gabinetes de projeto e responsáveis pela gestão de investimentos na área hospitalar.

Pela empresa projetista “Electroeng”, foram apresentados os aspetos mais relevantes e as diversas áreas funcionais do empreendimento.

Pelas empresas de equipamentos e tecnologia médica, foram apresentados temas muito atuais e inovadores.

A Siemens Healthineers focou-se na mais moderna tecnologia de “Salas Híbridas” e todos os requisitos de projeto e execução.

A MCMedical (ex. Medicinália Cormédica) especialista nas áreas críticas (Bloco Operatório e U.C.I.), apontou caminhos novos, tais como a Integração Nivel II com Navegação Gestual nas salas operatórias e a Conectividade nos Cuidados Intensivos.

O programa do Simpósio Satélite concluiu-se com uma visita às instalações do HIA.

Correspondendo ao convite feito pela administração do Hospital Internacional dos Açores (HIA), a ATEHP fez-se representar, tendo participado nos eventos do auditório do espaço Nonagon bem como no evento satélite na Sala Apollo, nos dias 21 e 22 de outubro.

OMS publica manual para ajudar a definir melhores políticas públicas

A Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou o Manual de Combate à Desinformação em Saúde, um documento que pretende ser um guia para a criação de nova legislação europeia sobre o tema e que foi redigido por três jovens portugueses.

Em comunicado enviado à agência Lusa, os autores do manual salientaram que o documento faz uma radiografia profunda ao problema da desinformação em saúde, “com o objetivo de ajudar legisladores a definir melhores políticas públicas para o combater”.

De acordo com a nota, o manual é o resultado final de três conferências organizadas pela OMS com especialistas da academia, Organizações Não Governamentais, bem como com representantes de plataformas digitais, imprensa tradicional e Estados-Membros europeus.

O diretor do escritório da OMS de qualidade em saúde de Atenas e responsável por esta iniciativa, João Breda, considerou que “a desinformação em saúde é um grande entrave à prestação de cuidados de saúde com qualidade e que é vital encontrar caminhos para a combater”.

O médico e gestor Francisco Goiana da Silva, outro dos autores do manual, salientou que “é um instrumento inovador de política pública de saúde nesta área, a nível mundial, que foi inteiramente idealizado por jovens portugueses”.

Para o advogado e outro dos autores João Marecos, espera-se que o documento “venha a ser uma ferramenta de trabalho importante para quem faz política pública nesta área.

“O combate à desinformação passa por muito mais do que fact-checking e moderação de conteúdos: é literacia mediática, é legislação apropriada, são mecanismos de responsabilização”, acrescentou.

O também autor do manual Francisco de Abreu Duarte referiu que “a solução do problema passa por uma triple entente entre sociedade civil, Estados e indústria”, considerando que “é impensável achar que a mudança se faz contra, ou sem, o compromisso firme destes três atores”.

O projeto do Manual de Combate à Desinformação em Saúde, que começou em 2019, vai ser apresentado nas próximas semanas ao público num evento da OMS em colaboração com a Google/Youtube.

Tecnologia de modelação de tumores pancreáticos alvo de patente internacional

A Universidade de Aveiro apresentou um pedido internacional de patente de uma nova tecnologia que permite a modelação 3D ‘in vitro’ de tumores pancreáticos.

Desenvolvida no Instituto de Materiais de Aveiro (CICECO), a nova tecnologia foi alvo de pedido internacional de patente com o apoio da UACOOPERA, estrutura de interface da Universidade de Aveiro com o exterior.

A invenção permite o desenvolvimento de minitecidos tumorais no laboratório para acelerar a descoberta e testagem de novas metodologias terapêuticas para este tipo de cancro.

“O adenocarcinoma ductal pancreático é o tipo de cancro pancreático mais fatal e mais comum, representando cerca de 95 por cento de todos os cancros pancreáticos diagnosticados”, refere uma nota da universidade.

Em Portugal, prossegue, “este tipo de cancro é atualmente também um dos mais mortíferos, prevendo-se que se torne a principal causa de morte por cancro no país em 2030”.

O grupo de investigação COMPASS, liderado por João Mano, professor do Departamento de Química da Universidade de Aveiro e membro do laboratório associado CICECO, desenvolveu um modelo de tecido tumoral pancreático tridimensional ‘in vitro’, com a morfologia encontrada nos tumores humanos.

A nova tecnologia permite “mimetizar diferentes morfologias de tumores pancreáticos em laboratório, podendo ser a base de um ‘kit’ para avaliação de terapias avançadas ou personalizadas, baseadas em imunoterapia ou nanomedicina, num contexto mais próximo do real no paciente”.

Segundo a nota de imprensa, a tecnologia agora desenvolvida “abre ainda novas linhas de investigação ao nível dos estudos fundamentais da biologia do cancro e do diagnóstico, incluindo o estudo e descoberta de novos biomarcadores ou mecanismos de resistência a fármacos, assim como abre portas para a modelação computacional do desenvolvimento do tumor”.