A Engenharia Hospitalar: um pilar estratégico para a evolução da Saúde em Portugal

No âmbito das comemorações dos 525 anos do primeiro hospital público nacional e do Dia Mundial do Hospital, partilhamos o artigo de opinião do Presidente da ATEHP, João Pedro Barranca, publicado na revista País Positivo.

Neste artigo, é destacada a importância da engenharia hospitalar como elemento essencial na evolução dos cuidados de saúde em Portugal, evidenciando o contributo dos engenheiros para a modernização das infraestruturas, das tecnologias e da organização dos hospitais. É igualmente reconhecido o papel da ATEHP na valorização da Engenharia da Saúde e na afirmação dos seus profissionais como agentes fundamentais para um Serviço Nacional de Saúde mais eficiente, inovador e preparado para os desafios do futuro.

Ler o artigo completo aqui:

https://atehp.pt/wp-content/uploads/2026/07/saude_joaoPedroBarranca.pdf

Consulte também a edição completa da revista País Positivo:

https://atehp.pt/wp-content/uploads/2026/07/Pais-positivo.pdf

Iniciativa com sensores inteligentes visa transformar os cuidados de saúde

A gestão diária em unidades de cuidados continuados e hospitais enfrenta um desafio global: a escassez de recursos humanos face a uma população cada vez mais envelhecida. É neste cenário que surge o projeto CareVolutionAI, uma iniciativa que junta parceiros da Alemanha, Áustria e Suíça.

O apoio científico e a investigação estão a cargo da Universidade de Ciências Aplicadas de Konstanz (HTWG), na Alemanha, com o objetivo de demonstrar como a tecnologia pode aliviar a pressão sobre as equipas de saúde, promovendo simultaneamente cuidados baseados em dados palpáveis.

De reação à prevenção: Como funciona?

No centro deste sistema está uma tecnologia de sensores sem contacto instalada nos quartos dos utentes. Ao contrário dos sistemas tradicionais, estes sensores não gravam vídeo, imagem ou áudio, garantindo a total privacidade dos pacientes. Em vez disso, processam apenas dados tridimensionais agregados. Através de algoritmos de IA integrados, o sistema analisa os padrões de movimento em tempo real e deteta automaticamente riscos graves, tais como: quedas iminentes ou consumadas, movimentos invulgares ou agitação noturna e períodos prolongados de imobilidade. Quando um evento crítico é detetado, o sistema emite um alerta para a equipa de enfermagem. Contudo, o grande trunfo da tecnologia não é apenas reagir ao acidente, mas sim a capacidade de transitar para uma tecnologia preventiva. Ao analisar continuamente os padrões de atividade, os cuidadores conseguem notar pequenos declínios na mobilidade ou alterações de comportamento antes mesmo que uma queda aconteça, permitindo uma intervenção precoce. “A tecnologia de sensores alimentada por IA permite aliviar especificamente os cuidadores de tarefas rotineiras e demoradas”, explica o Prof. Ralf Seepold, gestor do projeto na HTWG Konstanz. “Isto reduz a necessidade de rondas constantes de verificação, dando aos profissionais mais tempo para os cuidados diretos e para a interação humana com os residentes.”

Gestão de qualidade baseada em dados

Para além do impacto direto no quarto do paciente, os dados recolhidos de forma contínua funcionam como uma ferramenta de gestão. Diretores de lares e hospitais passam a dispor de métricas reais para a gestão de processos, planeamento de recursos e controlo de qualidade, permitindo tomadas de decisão fundamentais baseadas em evidências. O sucesso desta transição digital, no entanto, depende da sua validação prática. É por isso que a HTWG Konstanz está a acompanhar o projeto com um estudo internacional em várias instituições da região do Lago de Constança. O objetivo é testar o sistema no “mundo real” para medir o seu impacto exato na qualidade dos cuidados, na segurança dos pacientes e, acima de tudo, na redução do stresse e da carga de trabalho dos profissionais de saúde. O CareVolutionAI visa desenhar o futuro do setor, onde a tecnologia não substitui o toque humano, mas protege-o, assumindo a vigilância invisível para que os cuidadores possam focar-se no que realmente importa: as pessoas.

UE reduz burocracia para dispositivos médicos de “tecnologia bem estabelecida”

O Jornal Oficial da União Europeia publicou dois novos atos delegados ao abrigo do Regulamento dos Dispositivos Médicos (RDM). O objetivo central desta atualização é tornar os requisitos regulamentares mais proporcionados, reduzindo o fardo burocrático e financeiro que recai sobre os fabricantes de tecnologias consideradas maduras e seguras.

As chamadas “tecnologias bem estabelecidas” englobam dispositivos médicos com designs simples, comuns e estáveis, que apresentam pouca evolução tecnológica ao longo do tempo. Trata-se de produtos com características de segurança e desempenho clínico amplamente conhecidas e com um longo historial de comercialização no mercado comunitário.

A revisão e consequente alargamento desta lista resultam de um trabalho desenvolvido por uma Task Force de peritos nacionais do Grupo de Coordenação dos Dispositivos Médicos, que contou com a consulta pública de vários agentes do setor.

O que muda na prática?

Os dois regulamentos publicados introduzem isenções específicas para duas categorias de produtos:

– Dispositivos implantáveis da classe IIb: o primeiro regulamento altera o Artigo 52.º do RDM. A partir de agora, os dispositivos desta classe que constem da lista atualizada deixam de estar sujeitos à obrigação de uma avaliação individual da sua documentação técnica para cada dispositivo durante o procedimento de avaliação de conformidade.

– Dispositivos implantáveis da classe III: O segundo regulamento altera o Artigo 61.º do RDM, isentando os fabricantes da obrigatoriedade de realizar investigações clínicas para os produtos listados. A Comissão Europeia ressalva, contudo, que esta isenção não desobriga os fabricantes de planear, realizar e documentar uma avaliação clínica regular com base em dados existentes.

Produtos abrangidos

A lista atualizada de exceções foi substancialmente alargada. Além dos materiais que já eram isentos (como suturas, amálgamas dentárias, aparelhos ortodônticos, coroas dentárias, parafusos, placas e pinos), passam a estar incluídos dezenas outros dispositivos comuns, tais como:

Cânulas, cateteres, sondas de alimentação, implantes dentários, cera e substitutos ósseos, marcadores radiográficos, agulhas, pinças, drenos ventriculares, instrumentos cirúrgicos reutilizáveis, guias e cabos de estimulação cardíaca, entre outros.

Os dois regulamentos delegados entram oficialmente em vigor 20 dias após a sua publicação no Jornal Oficial da União Europeia, aplicando-se de forma direta e obrigatória em todos os Estados-Membros.

Coreia do Sul avança no desenvolvimento de exoesqueleto de corpo inteiro controlado por Inteligência Artificial

FOTO SITE SERVERANCE HOSPITAL

O Serverance Hospital, na Coreia do Sul, vai liderar os ensaios clínicos de um novo projeto governamental focado no desenvolvimento de um exoesqueleto vestível de corpo inteiro. O dispositivo médico inovador utilizará Inteligência Artificial para ler os sinais cerebrais de doentes tetraplégicos e traduzi-los em movimentos físicos reais.

O projeto, com uma duração prevista de sete anos, conta com um financiamento estatal de 20,25 mil milhões de won (cerca de 11,5 milhões de euros). Com o contributo de fundos privados, o investimento total ascenderá a aproximadamente 30 mil milhões de won (16,9 milhões de euros), informou a instituição hospitalar em comunicado.

Ligação bidirecional entre o cérebro e o robô

O grande objetivo da iniciativa é a criação de um dispositivo médico baseado numa “ligação bidirecional cérebro-IA-robô”, apelidado de “humanoide vestível”. O sistema assenta em dois pilares fundamentais.

– Leitura de intenções: a IA descodifica os sinais cerebrais do utilizador e aciona os motores do robô para realizar o movimento pretendido.

 Feedback sensorial: O percurso inverso também se realiza, permitindo que a informação tátil, de pressão e de postura do exoesqueleto seja transmitida de volta ao cérebro do doente.

O público-alvo desta tecnologia são indivíduos com paralisia dos quatro membros decorrente de lesões na espinal medula cervical ou de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), condições que afetam tanto a capacidade motora como a sensorial.

Até a data, a restauração dos circuitos biológicos que unem o movimento e a sensação permanecia um dos maiores desafios da medicina de reabilitação. As abordagens tradicionais limitavam-se a potenciar as funções corporais residuais do paciente e a recorrer a dispositivos de assistência passiva.

O cronograma de desenvolvimento está estruturado em três fases:

– 2026-2027: Aquisição das tecnologias de bases para elétrodos corticais invasivos de alta densidade e integração cérebro-robô.

– 2028-2029: Integração de hardware software e início dos ensaios clínicos com os doentes.

– 2030-2032: Conclusão do sistema unificado e processo de aprovação regulamentar junto do Ministério da Segurança dos Alimentos e Medicamentos da Coreia do Sul.

Tendências globais

A Coreia do Sul tem mostrado um forte pioneirismo nesta área: o Serverance Hospital inaugurou a primeira sala de terapia robótica da marcha no país em 2011 e o primeiro centro de reabilitação robótica em 2018. Neste novo consórcio, o hospital terá ainda a responsabilidade de monitorizar a função respiratória dos participantes de alto risco, garantindo a utilização segura do exoesqueleto.

Este avanço acompanha uma tendência científica global em torno da robótica de reabilitação. Recentemente, investigadores da Universidade de Queensland, na Austrália, desenvolveram um exoesqueleto para ajudar doentes com doenças do neurónio motor a caminhar por períodos prolongados, enquanto que a Universidade Politécnica de Hong Kong criou um dispositivo robótico de tornozelo e pé focado na recuperação em sobreviventes de acidentes vasculares cerebrais (AVC).

SNS atualiza regulamentos e tabela de preços para hospitalização e diagnósticos

Nova portaria reformula custos de referência e critérios de internamento na rede pública de saúde

O Governo publicou a Portaria nº 274/2026/1, que aprova novas Tabelas de Preços e Regulamentos das Instituições e Serviços Integrados no Serviço Nacional de Saúde (SNS). O documento, que entra imediatamente em vigor, redefine os valores de faturação interna, convenções e reembolsos de atos médicos, cirurgias e meios complementares de diagnóstico no ecossistema da saúde pública em Portugal.

A medida visa modernizar a gestão financeira dos hospitais públicos e atualizar os valores de referência que servem de base para a contratualização de serviços, além de ajustar o sistema de classificação e controlo de episódios clínicos.

O Impacto dos Grupos de Diagnósticos Homogéneos (CDH)

A grande ênfase do novo regulamento técnico recai sobre os Grupos de Diagnósticos Homogéneos (CDH), o sistema informático e clínico que agrupa os doentes tratados em internamento ou ambulatório de acordo com o consumo de recursos semelhantes.

Segundo a portaria, a classificação dos episódios cirúrgicos e médicos passa a obedecer a critérios mais rigorosos de triagem de dados, que inclui: Diagnóstico principal e patologias associadas; complicações detetadas e procedimentos clínicos realizados; fatores demográficos; destino do utente após a alta médica.

O objetivo principal do Ministério da Saúde com esta atualização é garantir maior “coerência e homogeneidade” na distribuição orçamental, forçando as administrações hospitalares a uma maior eficiência na gestão de camas e recursos em cirurgias de ambulatório.

Contagem de internamentos e setor convencionado

Outro ponto central clarificado na portaria refere-se às regras de contagem do tempo de internamento para efeitos de faturação. A partir de agora, integram explicitamente a contagem dos dias desde a admissão inicial do utente no Serviço de Urgência, bem como na estadia em berçário no caso de recém-nascidos.

Para os exames de diagnóstico e tratamentos realizados fora dos hospitais públicos, através do setor privado e social convencionado, as novas tabelas estipulam as comparticipações e tetos máximos que o Estado pagará por MCDT (Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica), como análises clínicas, radiografias e produtos de sangue.

O que muda para o utente?

Na prática, estas tabelas regulam a contabilidade interna do SNS e o montante que o Estado paga aos prestadores. Para o cidadão comum, a medida traduz-se numa reorganização administrativa que promete reduzir tempos de espera em cirurgias programadas e maior transparência na gestão orçamental de saúde.

A portaria já se encontra disponível para consulta pública integral na I Série do Diário da República, acompanhada por todos os extensos anexos com os preços fixados para cada procedimento médico.

Hospital espanhol inaugura bloco operatório híbrido avançado

O Hospital Ascires, em Valência, Espanha, incorpora um bloco operatório híbrido que integra ressonância magnética de 3 Tesla, tomografia computorizada, radiologia de intervenção robotizada e medicina nuclear intraoperatória.

A unidade entrou em pleno funcionamento em maio de 2026, concluindo uma abertura faseada iniciada em novembro do ano passado.

 

Investimento de 125 milhões de euros

A construção da unidade representou um investimento total de 125 milhões de euros, dos quais mais de 40 milhões foram aplicados em equipamentos e tecnologia médica. O edifício possui sete pisos acima do solo e três pisos subterrâneos e foi concebido para reunir num único espaço as valências de diagnóstico, cirurgia, internamento, cuidados intensivos e urgência.

Oito salas operatórias e 70 quartos individuais

De acordo com os dados técnicos divulgados pelo grupo Ascires, o hospital dispõe de 70 quartos individuais, sete blocos operatórios convencionais e um bloco híbrido equipado com RM de 3 Tesla, TAC, sistema robotizado de imagem para radiologia de intervenção, equipamento de medicina nuclear intraoperatória e mesa cirúrgica digital integrada.

A infraestrutura inclui ainda:

  • três aceleradores lineares para radioterapia;
  • duas ressonâncias magnéticas;
  • dois equipamentos de TAC;
  • duas salas de hemodinâmica;
  • dois sistemas PET;
  • 12 postos de recobro pós-anestésico;
  • dez boxes de cuidados intensivos e uma box de isolamento.

Integração da imagem durante os procedimentos

A configuração do bloco híbrido permite a realização de exames de imagem durante os procedimentos cirúrgicos, evitando a transferência dos doentes para outras áreas do hospital e permitindo a monitorização intraoperatória em tempo real. Segundo a Ascires, a unidade foi concebida para suportar procedimentos minimamente invasivos e recorre também a ferramentas de inteligência artificial em processos de diagnóstico e planeamento terapêutico.

Edifício incorpora gestão energética baseada em BIM

Com uma área total superior a 30 mil m², o hospital foi desenvolvido como um edifício inteligente e integra sistemas de gestão energética baseados em BIM (Building Information Modelling), associados ao sistema de manutenção das instalações.

A unidade foi projetada para garantir acessibilidade integral e inclui um jardim terapêutico e áreas especializadas em neurociências, cardiologia, oncologia, medicina nuclear e ortopedia.

Emergência climática é também emergência de saúde pública

A propósito do Dia Mundial do Ambiente, que se assinala a 5 de junho, este ano sob o mote da ação climática – #NowForClimate –, o Conselho Português para a Saúde e Ambiente (CPSA) alertou para os efeitos da crise climática nas doenças cardio e cerebrovasculares e respiratórias e apelou a uma resposta governamental transversal

O aumento das temperaturas, as ondas de calor, os incêndios, as secas, a subida do nível do mar, a poluição atmosférica e a maior frequência de fenómenos climáticos extremos têm impacto direto e indireto na saúde humana. Para o CPSA, esta realidade exige uma resposta integrada, capaz de aproximar as políticas de saúde das políticas ambientais.

“Durante demasiado tempo, as políticas ambientais ignoraram a saúde e as políticas de saúde ignoraram o ambiente. Hoje, sabemos que a saúde das pessoas depende da saúde do planeta. A emergência climática é também uma emergência de saúde pública”, afirma Luís Campos, presidente do CPSA, citado em comunicado da organização.

Doenças agravadas pelos fatores ambientais

A evidência científica tem demonstrado que os fatores ambientais influenciam de forma significativa várias doenças, com destaque para as doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, as doenças respiratórias crónicas, as alergias e o cancro. A estes impactos somam-se ainda o aumento de doenças transmitidas por vetores, como a infeção pelo vírus do Nilo Ocidental ou a chikungunya, a degradação da qualidade da água e dos alimentos, os efeitos diretos das catástrofes climáticas e o impacto na saúde mental.

Portugal já sente os efeitos

Em Portugal, os efeitos já são visíveis. O país tem registado ondas de calor mais frequentes e intensas, períodos de seca prolongada e incêndios de grande dimensão. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Saúde, as ondas de calor estiveram associadas a um excesso de 2300 mortes em 2025. A poluição atmosférica continua também a representar um importante risco para a saúde, estando associada a milhares de mortes em excesso todos os anos.

Para o CPSA, estes dados mostram que a resposta à crise climática deve ser encarada como uma prioridade de saúde pública. As determinantes ambientais estão já associadas a cerca de uma em cada quatro mortes a nível global, pelo que proteger o ambiente é também proteger a saúde das pessoas.

O papel do setor da saúde na transição sustentável

O setor da saúde tem igualmente um papel relevante nesta transformação. Em Portugal, estima-se que seja responsável por cerca de 5 % das emissões de gases com efeito de estufa, além de ser uma fonte importante de produção de resíduos. Reduzir a pegada ambiental do setor, preparar os serviços de saúde para eventos extremos e promover práticas mais sustentáveis são, por isso, objetivos essenciais.

Uma governação transversal para enfrentar o desafio

O CPSA defende a criação de uma estrutura de governação transversal, capaz de integrar saúde e ambiente nas diferentes áreas de decisão política. Para a organização, este é um desafio que ultrapassa ministérios, setores e ciclos políticos, exigindo respostas coordenadas, multissetoriais e sustentadas.

“O desafio que enfrentamos é complexo e nenhuma área da governação está isenta de responsabilidade. Precisamos de soluções integradas, porque os problemas ambientais, climáticos e de saúde estão profundamente ligados”, sublinha João Queiroz e Melo, vice-presidente do CPSA.

Apelo à ação e compromisso coletivo

Neste contexto, o CPSA apela também à rápida implementação do Plano de Ação em Saúde de Belém para a Adaptação do Setor da Saúde às Mudanças Climáticas, proposto pelo Brasil na COP30 e já assinado por mais de 60 países, incluindo Portugal.

Com mais de 114 organizações associadas, dos setores público, privado, académico, científico e associativo, o CPSA reforça a sua disponibilidade para contribuir para uma resposta nacional mais integrada. A organização sublinha que este é um compromisso coletivo e intergeracional.

EXPOINMED, a nova feira para o setor da saúde, estreia-se em 2027

expoinmed

Edição inaugural, na Ifema Madrid, irá centrar-se na evolução da indústria da saúde e juntar empresas do setor para promover conhecimento e inovação tecnológica  

O lançamento deste certame decorre de uma estratégia da IFEMA de identificação de setores de elevado potencial que possibilitem o lançamento de feiras altamente especializadas, ao mesmo tempo que se consolida o setor dos cuidados de saúde.

A primeira edição decorre de 15 a 17 de junho de 2027, em colaboração com a revista espanhola Medicina Responsable.

A feira foi idealizada num contexto de crescimento e transformação do setor, e surge para procurar dar resposta a desafios importantes, como a inovação, a sustentabilidade, as parcerias público-privadas e a humanização da medicina.

A EXPOINMED foi pensada para ser uma plataforma de benchmark para o setor da saúde, propondo uma combinação entre área de exposição, conteúdo estratégico de valor acrescentado e espaços dedicados ao networking. Será possível ter acesso a equipamento e dispositivos médicos, robôs medico-cirúrgicos, tecnologias de imagiologia e diagnóstico, soluções laboratoriais e farmacêuticas, materiais para atividades em saúde e tecnologias e soluções digitais.

Arranca piloto de Via Verde do Choque Cardiogénico

FOTO RODRIGO PORTO/ UNSPLASH

Trata-se de um instrumento organizacional estratégico do Serviço Nacional de Saúde (SNS), assente na reorganização e otimização de recursos já existentes, orientado para reduzir a variabilidade de cuidados, reforçar a segurança clínica, melhorar os resultados em saúde e otimizar a utilização de recursos de elevada diferenciação. O objetivo é a identificação precoce dos doentes com choque cardiogénico e a sua transferência atempada para centros com capacidade especializada.

O piloto decorre desde o início de maio no Hospital de São João, no Porto, no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, e no Hospital de São José, em Lisboa.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) disponibilizou o referencial para a implementação do piloto, com o objetivo de harmonizar critérios de identificação, estratificação, ativação, referenciação e monitorização dos doentes com choque cardiogénico no contexto do SNS.

De acordo com esse documento, a resposta deve ser organizada em torno de uma rede assistencial estruturada, integrando diferentes níveis de cuidados e identificando centros de referência responsáveis pela concentração de casos complexos e pelo tratamento especializado por equipas multidisciplinares. O processo abrange todo o percurso assistencial, desde os serviços de emergência pré-hospitalar, com envolvimento do INEM na triagem, orientação e ativação da via assistencial, até aos hospitais terciários com capacidade avançada de suporte circulatório e transplante cardíaco.

O choque cardiogénico é uma síndrome clínica grave, caracterizada por hipoperfusão tecidular de origem cardíaca, resultante de incapacidade do coração em garantir um débito cardíaco adequado às necessidades metabólicas do organismo.

Webinar sobre dispositivos médicos de alto risco a 19 de junho

FOTO MEHMET CETIN/ SHUTTERSTOCK

O grupo de coordenação dos Estados-Membros para a avaliação de tecnologias de saúde vai realizar um webinar a 19 de junho dirigido a fabricantes de tecnologias de alto risco

webinar servirá para explicar os processos para as avaliações clínicas conjuntas e as consultas científicas conjuntas para dispositivos de alto risco e dispositivos para diagnóstico in vitro de alto risco. Também serão abordados documentos orientadores relevantes adotados pelo grupo de coordenação.

Além disso, o secretariado da Comissão Europeia para a avaliação de tecnologias de saúde (HTA, no original) irá explicar os processos administrativos e tecnológicos relevantes, incluindo como aceder e utilizar a plataforma HTA IT para os processos de trabalho das avaliações conjuntas e das consultas científicas conjuntas.

Recorde-se que o regulamento relativo à avaliação das tecnologias de saúde entrou em vigor em janeiro de 2022 e é aplicável desde janeiro de 2025. O grupo de coordenação foi criado no âmbito do regulamento e é composto por representantes dos Estados-Membros, principalmente de autoridades e organismos de avaliação de tecnologias de saúde.