ATEHP presente na apresentação do livro “Como a Anestesia Mudou o Mundo”

Recentemente a ATEHP esteve presente na apresentação do último livro da autoria do Dr. José Martins Nunes, intitulado “Como a Anestesia Mudou o Mundo”, tendo estado representada pelo Presidente da Direção, Eng. João Barranca e pelo Presidente da Assembleia Geral, Eng.º Abraão Ribeiro. A Sessão realizou-se no dia 4 de fevereiro, na Casa Municipal da Cultura de Coimbra, tendo a apresentação estado a cargo dos ilustres Professores Francisco Maio Matos e José Pedro Figueiredo.

Esta obra é, como refere o autor, um testemunho de quem viveu intensamente as transformações da anestesiologia nas últimas décadas, e um convite à reflexão para os que hoje exercem esta especialidade e para os que colaboram com ela no quotidiano hospitalar, sendo também um tributo e uma proposta de diálogo entre ciência, filosofia, religião, história e cidadania.

Um livro que aborda as múltiplas dimensões da anestesia e nos transporta para a forma como a anestesiologia evoluiu muito significativamente, ao longo dos últimos dois séculos, impulsionada pelo desenvolvimento de novas tecnologias, fármacos e sistemas de monitorização, tornando os procedimentos cirúrgicos progressivamente mais seguros e controlados.

Antes do século XIX, a ausência de anestesia eficaz limitava a prática cirúrgica, sendo utilizados métodos empíricos para o relativo controlo da dor, com elevada morbimortalidade associada.

Entretanto, o advento dos anestésicos gerais inalados marcou o início da anestesia moderna, permitindo a indução de inconsciência e analgesia adequadas para procedimentos cirúrgicos. Posteriormente, o desenvolvimento de anestésicos intravenosos possibilitou uma indução mais rápida, previsível e segura, ao mesmo tempo que os agentes inalados evoluíram para compostos halogenados com melhor perfil farmacocinético e menor toxicidade.

Paralelamente, no campo da engenharia, a evolução tecnológica dos equipamentos de anestesia acompanhou de mãos dadas e foi determinante para a segurança anestésica. Temos presente que os sistemas atuais integram ventilação mecânica controlada, vaporizadores de precisão, alarmes de segurança e mecanismos de prevenção de erros, permitindo um controlo rigoroso da administração de anestésicos e da oxigenação do paciente, sendo que estes avanços reduziram significativamente a incidência de eventos adversos intraoperatórios.

Outro pilar fundamental foi o progresso dos sistemas de monitorização. A introdução do eletrocardiograma contínuo, da oximetria de pulso e da monitorização invasiva e não invasiva da pressão arterial permitiu a deteção precoce de alterações hemodinâmicas e respiratórias. Adicionalmente, a anestesia beneficiou do uso do ultrassom, aumentando a precisão na identificação de estruturas anatómicas e reduzindo complicações sendo que, atualmente, a integração de sistemas informatizados, registos eletrónicos e ferramentas baseadas em inteligência artificial representa uma nova etapa na evolução da anestesiologia, promovendo uma prática mais segura, eficiente e orientada para o paciente.

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