O portal MEDICA.de falou com Jan Wolter, responsável pela divisão de tecnologia médica da Spectaris, associação de indústria tecnológica que manifesta reservas em relação à revisão.
Jan Wolter demonstra preocupação com o tópico do reprocessamento de dispositivos médicos. O responsável da Spectaris lembra que, até aqui, eram os fabricantes a decidir se os dispositivos podiam ser reprocessados ou não, o que já não acontece. Ao invés, a Comissão Europeia está a preparar uma lista de dispositivos não reutilizáveis. Para Jan Wolter, isto demonstra que a segurança do paciente não é a prioridade.
Outra das preocupações manifestadas por Wolter prende-se com a burocracia, que, segundo afirma, irá aumentar, levando também a um aumento dos custos. O responsável alerta, no entanto, que muitas empresas apenas produzem dispositivos em pequenas quantidades, o que implica onerar os custos destes produtos de tal forma que deixam de ser vendáveis, o que acaba por colocar em causa postos de trabalho.
Apesar de alguns dispositivos médicos poderem vir a ser classificados num grupo de maior risco no futuro, Jan Wolter é de opinião de que isto não vai contribuir para aumentar a segurança dos pacientes. O responsável dá o exemplo de dispositivos que nos Estados Unidos são considerados de risco mínimo mas na Alemanha são considerados de risco máximo por estarem em contacto com áreas delicadas como o cérebro, apesar de serem dispositivos simples. Segundo Wolter, isto leva a que os fornecedores abordem os médicos oferecendo-lhes dispositivos que porventura não servem os mesmos propósitos mas pertencem a uma categoria de risco mais baixa, o que subverte, de acordo com o responsável, o princípio da segurança do paciente.
Leia a entrevista completa aqui. Créditos imagem: arztsamui/freedigitalphotos
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