Uma investigação sobre sida e outra sobre cílios foram premiadas na edição de 2012 dos Prémios Pfizer. A cerimónia de entrega dos prémios decorreu no dia 27 de novembro, ao final da tarde, em Lisboa.
O grande vencedor do Prémio Pfizer na vertente da Investigação Clínica foi da autoria de José M Marcelino, Pedro Borrego, Charlotta Nilsson, Carlos Família, Helena Barroso, Fernando Maltez, Manuela Doroana, Francisco Antunes, Alexandre Quintas, Nuno Taveira. Os investigadores desenvolveram um trabalho na área da SIDA, focado nos mecanismos de controlo individual da infeção por HIV 2. O HIV-2 infecta atualmente cerca de 2 milhões de pessoas em todo o mundo, principalmente em países da África Ocidental bem como de países que tiveram ‘relações’ coloniais: Portugal, França e Espanha. Ao contrário do HIV-1, a maioria dos doentes com HIV-2 consegue viver normalmente mesmo sem tratamento. Um conjunto de doentes HIV-2 foi seguido durante 4 anos de forma a analisar a evolução da resposta do organismo ao vírus. A doença progrediu para SIDA apenas em 4 indivíduos em que ocorreu diminuição dos anticorpos neutralizantes do vírus. Nestes doentes apareceram vírus resistentes aos anticorpos que ganharam a capacidade de infetar novas células. Descobriu-se que havia uma zona do invólucro do vírus que era o alvo de ação dos anticorpos neutralizantes e que se alterava com o contacto com esses anticorpos. Este estudo é um contributo importante para o desenvolvimento de uma vacina para o HIV-2 e poderá também vir a ser útil no desenvolvimento de uma vacina para o HIV-1.
Na área da investigação básica, a equipa vencedora, constituída por Zita Carvalho-Santos, Pedro Machado, Inês Alvarez-Martins, Susana M Gouveia, Swadhin C Jana, Paulo Duarte, Tiago Amado, Pedro Branco, Micael C Freitas, Sara T N Silva, Claude Antony, Tiago M Bandeiras, Mónica Bettencourt-Dias, elaborou um trabalho sobre os cílios. Os cílios são estruturas que existem em praticamente todas as células do corpo humano e são uma espécie de antena e/ ou roda, estando envolvidos em sinalização e movimentos celulares. Os cílios móveis, também conhecidos por flagelos, são essenciais para o movimento de células (por exemplo, os espermatozoides) ou para a movimentação de fluido quando as células se encontram imobilizadas num tecido, para que este fluido e o que ele transporta (poeiras nos pulmões, óvulos, etc.) se desloquem numa única direção. O trabalho caracteriza a formação destes flagelos utilizando como modelo a espermatogénese da mosca da fruta. Descobriu-se que na ausência de uma proteína necessária para a formação do flagelo, este fica imóvel e pode levar à infertilidade.
Os Prémio Pfizer têm 56 anos de existência e este ano receberam 64 candidaturas. Para a Diretora Geral Executiva dos Laboratórios Pfizer, Dr.ª Ana Paula Carvalho, os Prémios “mantêm intacto o compromisso assumido desde a primeira hora, na certeza de assim continuar a aprofundar o imprescindível apoio à investigação numa área tão vital para a saúde e bem-estar dos cidadãos como é a investigação biomédica.”
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